A Meditação da Atenção Plena
e a Estrutura do Cérebro
A prática da meditação da atenção plena, (vipassana), durante oito semanas modifica a estrutura do cérebro.
Massachusetts, EUA. A participação num programa de meditação da atenção plena com duração de oito semanas parece resultar em mudanças mensuráveis nas regiões do cérebro associadas com a memória, noção de identidade, empatia e estresse.
Num estudo publicado na edição de 30 de Janeiro de 2011 na Psychiatry Research: Neuroimaging, uma equipe liderada por pesquisadores do Massachusetts General Hospital (MGH), descrevem os resultados do estudo feito, o primeiro a documentar modificações, devido à meditação, produzidas ao longo do tempo na massa cinzenta do cérebro.
"Embora a prática de meditação esteja associada com um sentimento de paz e relaxamento físico, os praticantes há muito tempo têm afirmado que a meditação também proporciona benefícios cognitivos e psicológicos que persistem ao longo do dia," diz Sara Lazar, PhD, do MGH Psychiatric Neuroimaging Research Program, a autora sênior do estudo.
"Este estudo demonstra que mudanças na estrutura do cérebro podem dar suporte a algumas dessas melhorias que foram relatadas e que as pessoas não se sentem melhor simplesmente porque estão passando algum tempo relaxando."
Estudos anteriores feitos pela equipe da Dra. Lazar e outros observaram diferenças estruturais entre os cérebros de meditadores experientes e indivíduos sem histórico de meditação, verificando o espessamento do córtex cerebral nas áreas associadas com a atenção e a integração emocional. Mas essas investigações não puderam documentar que essas diferenças tenham na verdade sido produzidas pela meditação.
No presente estudo, imagens de Ressonância Magnética (RM) dos 16 participantes no estudo foram feitas duas semanas antes que eles tomassem parte durante 8 semanas no Programa para Redução de Estresse com base na Atenção Plena do Centro para Atenção Plena da Universidade de Massachusetts, (Mindfulness-Based Stress Reduction Program (MBSR) da University of Massachusetts Center for Mindfulness).
Além das reuniões semanais que incluíam a prática da meditação da atenção plena - dirigir a atenção desprovida de julgamento para as sensações e estados mentais - os participantes receberam gravações de áudio para a prática guiada da meditação e foram solicitados a manter o registro de quanto tempo meditavam a cada dia.
Também foram tomadas imagens de RM do cérebro de um grupo de controle de não meditadores durante o mesmo intervalo de tempo.
Os participantes no grupo dos meditadores relataram em média praticar a meditação durante 27 minutos por dia e as suas respostas a um teste sobre a atenção indicaram melhoras significativas comparadas com o resultado antes do estudo.
A análise das imagens de RM, que focaram nas áreas em que diferenças associadas à meditação foram observadas em estudos anteriores, encontraram aumento na densidade da massa cinzenta no hipocampo, que é sabido ser importante para o aprendizado e memória e nas estruturas associadas com a noção de identidade, compaixão e introspecção.
A redução no nível de estresse relatada pelos participantes foi correlacionada com a redução na densidade da massa cinzenta na amígdala, que é sabido desempenhar um importante papel na ansiedade e estresse.
Embora nenhuma mudança tenha sido observada na estrutura associada à noção de identidade denominada insula, que havia sido identificada em estudos anteriores, os autores sugeriram que a prática da meditação por um período de tempo mais longo pode ser necessária para produzir mudanças nessa área.
Nenhuma dessas alterações foi observada no grupo de controle, indicando que não foi uma mudança devido à mera passagem do tempo.
"É fascinante observar a plasticidade do cérebro e que praticando a meditação podemos desempenhar um papel ativo na transformação do cérebro e que podemos aumentar o nosso bem-estar e qualidade de vida," disse Britta Hölzel, PhD, uma das autoras do estudo e pesquisadora no MGH e na Giessen University na Alemanha.
"Outros estudos em diferentes grupos de pacientes demonstraram que a meditação pode resultar em melhorias significativas numa variedade de sintomas e agora estamos investigando os mecanismos subjacentes no cérebro que facilitam essa mudança."
Amishi Jha, PhD, um cientista neurológico na Universidade de Miami que investiga os efeitos do treinamento da atenção plena em indivíduos em situações de estresse intensas, diz.
"Esses resultados elucidam os mecanismos do treinamento baseado na atenção plena. Eles demonstram que não somente a experiência de estresse de uma pessoa pode ser reduzida com um programa de treinamento da atenção plena de oito semanas mas que essa mudança experimentada corresponde a mudanças estruturais na amígdala, uma descoberta que abre as portas para muitas outras oportunidades de investigação do potencial de MBSR para proteger contra distúrbios originados do estresse como por exemplo o distúrbio do estresse pós traumático (PTSD - Post-Traumatic Stress Disorder)". Jha não foi um dos pesquisadores no estudo.
James Carmody, PhD, do Center for Mindfulness na University of Massachusetts Medical School, é um dos co-autores do estudo que teve o apoio do National Institutes of Health, da British Broadcasting Company, e do Mind and Life Institute.
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sábado, 30 de abril de 2011
Atenção plena nas sensações e emoções:
Introdução e meditação guiada
Ayya Khema
Introdução
Esse método de meditação é com frequência chamado de vipassana, mas esse é na verdade um nome incorreto, porque vipassana significa “insight”. Não se pode dizer que um método é insight; insight se manifesta com a claridade da mente.
Portanto, nós comumente o chamamos de “varredura”, porém não devemos fazer nenhuma conexão com uma vassoura. A “varredura” que vamos fazer é chamada “parte por parte.”
Em um aspecto, esse é um método de purificação. Porque o caminho todo do Buda é o da purificação, e qualquer coisa que possamos usar para nos ajudar ao longo dele é uma ajuda bem-vinda.
Esse método de purificação é bem específico e se torna claro quando nos lembramos que nossas reações físicas às nossas emoções são constantes e imediatas e que somos incapazes de pará-las.
Se estamos felizes, que é uma emoção, nós provavelmente sorrimos ou damos risada.
Se estamos infelizes, nós provavelmente choramos ou fazemos um cara infeliz, ou franzimos as sombrancelhas.
Se estamos zangados, podemos ficar vermelhos ou com a fisionomia enrigecida.
Se estamos ansiosos, por exemplo, no meio de um trânsito pesado, nossos ombros se contraem; existem muito poucas pessoas que não têm tensão nos ombros. Embora seja irrelevante saber que emoção está ligada a esta ou aquela parte do corpo. Nossas reações emocionais não têm nenhuma outra maneira de se manifestar que não através do nosso corpo.
Desde o nascimento, nós lidamos com as nossas emoções dessa maneira, ou talvez, nós poderíamos dizer que lidamos mal. O corpo tem sempre reagido e talvez retido algumas dessas reações em forma de tensões e bloqueios.
Esse método de meditação tem o potencial de remover esses bloqueios ou pelo menos de transformá-los em algo menos obstrutivo, dependendo da força da nossa concentração e também do nosso kamma.
Imagine por um momento que algumas pessoas têm vivido nesta sala nos últimos trinta anos, e nunca a limparam. Elas teriam deixado restos de comida, excremento, roupas sujas e louça suja; e nunca teriam varrido o chão.
Agora o lugar estaria sujo e bagunçado, do chão até o teto. Então, um amigo viria e diria aos ocupantes: “Porque vocês não varrem pelo menos um cantinho, onde vocês possam se sentar confortavelmente?”
Nossos amigos que estariam vivendo aqui fariam isso e descobririam que esse cantinho é muito mais confortável do que anteriormente, apesar deles não terem sido capazes de imaginar isso antes da limpeza. Agora eles se sentem motivados a limpar todo o restante da sala.
Eles descobrem que eles podem agora ver lá fora, através das janelas e toda a perspectiva de viver neste lugar se torna muito mais agradável.
É claro que qualquer pessoa poderia ter se mudado para algum outro lugar quando a bagunça se tornasse muito insuportável, mas todos nós somos muito presos ao nosso corpo. Não podemos nos afastar dele.
Podemos mudar a nossa residência muitas vezes durante a nossa vida – seja de cidade ou país, de um apartamento ou de uma casa, de estar com amigos a estar sozinho, de um país para outro – mas o nosso corpo nos acompanha sempre. É a nossa vivenda permanente até que ele se desagrega e morre, e vira pó.
E enquanto temos o nosso corpo, poderíamos também tentar fazer o melhor uso dele, pois de outro modo, teremos perturbação e aborrecimento na nossa meditação. Acontece todo tipo de coisas que não queremos que aconteça.
Quando nós tomamos um banho, tudo que podemos fazer é lavar a nossa pele. Todos nós sabemos que consistimos de muito mais do que só pele, mas ainda assim é tudo que podemos limpar. Dia após dia, temos uma pele limpa e agradável e provavelmente cabelo limpo também. Isso é tudo que conseguimos fazer. O método vipassana na sua primeira aplicação pode se parecer com um banho interno. O que a mente plantou através de reações emocionais, ela pode remover através do abandono.
O abandono é o segredo da purificação. Cada vez que movemos de um ponto no corpo para o próximo, temos o abandono do que quer que tenha surgido no ponto anterior.
No final, nós deixamos ir todas as sensações e emoções através da ponta dos nossos dedos das mãos e dos pés para o interior da sala de meditação, porque não existe mais nenhuma outra parte do corpo para a qual nós possamos mover a nossa atenção.
E através disso, nós fazemos uma limpeza, tomamos um banho interno e fazemos a remoção de alguns bloqueios interiores. E como isso é de grande ajuda fisicamente, nossa mente também fica mais relaxada. E agora como já não temos tantas dificuldades com o corpo, podemos usar nossa energia mental livre do desconforto.
Essa técnica tem também uma propriedade de cura. Qualquer pessoa com alguma concentração pode facilmente se livrar de uma dor de cabeça ou mesmo dor nas costas. Algumas doenças que já estão profundamente enraizadas serão mais difíceis de erradicar, podendo até mesmo ser impossível se livrar delas. A técnica tem no entanto, muitas outras possibilidades.
Um dos seus importantes aspectos é que aprendemos a abandonar os nossos sentimentos, de forma que não precisemos reagir a eles. Os sentimentos compreendem as sensações físicas e as emoções.
A única porta, em toda a origem dependente mundana, através da qual nós podemos sair do samsara, é a não reação a essas sensações e emoções, e com isso vem o abandono do apego. Apego tem sempre o significado de “querer ter” ou “querer se ver livre de”.
Não precisamos estar viciados, no sentido estrito da palavra, só o fato de querer manter a posse ou de querer mais de algo, ou rejeitar algo, ou querer destruir, já é o suficiente. Aqui nós temos um método através do qual podemos realmente nos tornar conscientes das nossas sensações, sem que seja necessário qualquer reação.
Mesmo se a raiva surgir, essa é uma ocasião em que sabemos com certeza que ninguém a causou. E essa poderá ser a primeira vez na nossa vida que estaremos conscientes da raiva surgindo, sem que nada fora de nós a tenha despertado. O mesmo se aplica à dor, preocupação, medo ou qualquer outra das nossas sensações e emoções.
Esse método também nos dá a oportunidade de nos tornarmos conscientes das sensações que de vez em quando são desagradáveis. Se as abandonarmos e movermos nossa atenção para a próxima parte do nosso corpo, nós desempenharemos a mesma ação – isto é, não reação a uma sensação desagradável através do abandono da rejeição. Nós abandonamos uma sensação quando colocamos a nossa atenção em algum outro lugar.
Esse método nos ensina a lidar com todas as nossas sensações e emoções com equanimidade. Porém, a repetição para nós mesmos, inúmeras vezes, de que esse é o único modo de lidar com as sensações e emoções, mas sem praticá-lo, não nos capacitará nesta tarefa. A compreensão – estar intelectualmente consciente – é o primeiro passo, mas a menos que tenhamos uma prática estruturada, nós não poderemos aprender isso ou qualquer outra habilidade.
Gosto de comparar nossas sensações a um brinquedo de criança, o boneco pulador, que consiste de um palhaço preso numa mola, que pula para fora da caixa cada vez que a tampa é acionada. A criança só precisa tocar na tampa da caixa de leve e o palhaço pula para fora. Aí alguém arranca o palhaço da caixa e quando a criança voltar a tocar a tampa, o palhaço não mais pulará para fora.
Isso é o que acontece dentro de nós. Nossas emoções estão embutidas no nosso coração. Nós só precisamos de uma pequena impulsão e ser tocados de leve que a raiva ou medo, ou desejo saltam para fora. E quando estes finalmente se vão, nem mesmo batendo com um martelo pode fazer com que eles reapareçam.
A purificação que nós aspiramos necessita de um caminho. É evidente que podemos praticar no nosso dia-a-dia, onde somos frequentemente tão confrontados por reações emocionais, mas um método de meditação é uma ajuda enorme e serve como um sistema de apoio.
Em primeiro lugar, porque não existe um agente externo e portanto fica bem claro que tudo está acontecendo dentro de nós. Na quietude e paz da prática da meditação é também muito mais fácil não reagir do que na imediatidade da confrontação – no calor da batalha, por assim dizer.
Aqui nós temos também um método de ganhar insight de várias maneiras. Durante a meditação guiada, mencionei solidez, calor, movimento. Todos os corpos consistem de quatro elementos primários e esses podem ser facilmente experienciados nessa meditação em particular.
Os elementos primários são: terra, água, fogo e ar.
Terra é o elemento da solidez, a dureza que nós podemos sentir quando nós tocamos o corpo ou quando o corpo toca a almofada, o chão ou a cadeira.
O elemento água não é só saliva, urina, suor e sangue, mas o elemento de coesão. Quando derramamos água num pouco de farinha, ela se torna uma massa. É por isso que setenta e oito por cento do nosso corpo é feito de água. Se assim não fosse, todas as partes estariam se movendo separadamente. Teríamos uma aparência um pouco estranha, mas talvez não tivéssemos um sentimento tão forte em relação ao nosso ego, se nós pudéssemos realmente observar todas as nossas células separadas. A água mantém juntas todas as partes do nosso corpo.
O elemento fogo é temperatura; nosso corpo sente o calor o frio ou o meio-termo. E existe o ar que são os ventos no corpo – a respiração e todos os movimentos físicos.
Quando experienciamos algum ou todos esses elementos dentro de nós, temos uma boa oportunidade de relacionar essa experiência com tudo ao nosso redor. Tudo que existe consiste desses quatro elementos e cada um deles contém os outros três em proporções variadas.
Por exemplo, a água tem que ter solidez, de outro modo nós não poderíamos nadar or remar um barco. Ganhar insight sobre o fato de que nós consistimos desses elementos nos ajuda a compreender que nós não somos diferentes do nosso meio ambiente. Não importa para onde olhemos, encontraremos esses quatro elementos. À medida que fixamos a nossa atenção nessa realidade, nosso sentimento de separação diminuirá e nós passaremos a nos sentir como parte de toda manifestação nesse universo.
Poderemos nos sentir inseridos nessa totalidade e não mais ameaçados pelas outras pessoas ou por catástrofes naturais ou não. Nós somos parte de um todo, o todo é parte de nós; não existe separação, nem alienação.
Quanto mais pudermos viver nessa realização, mais fácil será a purificação das nossas emoções com amor bondade, (metta).Quando não nos sentirmos mais separados dos outros, uma unidade única no meio de tantos, mas pudermos ver apenas uma manifestação universal, será muito mais fácil sentir metta pelos outros, porque essencialmente estaremos direcionando esse sentimento para nós mesmos.
Quando nos observamos à luz dos quatro elementos primários, nós também perdemos um pouco da nossa consciência profundamente impregnada do ego, que é a causa de todos os problemas que possam surgir. É impossivel encontrar o atributo “eu” numa combinação de terra, água, fogo e ar. Portanto, uma investigação contemplativa desses aspectos em nós mesmos pode produzir resultados de longo alcance.
Todos nós sabemos sobre a impermanência e provavelmente já ouvimos a palavra muitas vezes. E existem poucas pessoas no mundo que questionariam a impermanência, estejam elas seguindo uma prática espiritual em particular ou não.
Nós provavelmente poderíamos perguntar ao carteiro ou ao encarregado da loja da esquina se tudo é impermanente e eles com certeza concordariam que é assim mesmo.
Todos nós concordamos, mas temos que experienciar a impermanência para que ela deixe uma impressão em nós, e mesmo assim, nem sempre é o suficiente. Mas, quanto mais experienciarmos a impermanência, mais frequentemente nossa mente se voltará do seu modo habitual de pensar para o modo do Dhamma, que é uma virada de 180 graus. E é por isso que temos grandes dificuldades em pensar e viver no modo do Dhamma.
Mas, finalmente, se perseverarmos durante um período de tempo suficiente, se formos bem determinados e recebermos uma pequena ajuda no caminho, conseguiremos. À medida que nos distanciarmos do pensamento mundano, a impermanência se tornará uma das características proeminentes em tudo que nós experienciarmos.
Nesse método de meditação, nós focamos na impermanência de cada sensação e de cada emoção bem como no seu surgimento e cessação. Nós não só experienciamos a impermanência, como também compreendemos que nós só tomamos consciência de algo quando fixamos nossa atenção ali.
Se nós levarmos essa realização para o nosso dia-a-dia, notaremos que a vida se torna muito mais fácil. Não temos que colocar a nossa atenção em coisas que trazem problema, fazendo a vida mais difícil para nós mesmos.
Quando experienciamos negativismo, não precisamos mantê-lo na nossa consciência. Somos livres para movermos nossa atenção para o que é realmente verdadeiro, ou seja, impermanência, insatisfação e o não-eu. Ou podemos nos conectar com as emoções puras do amor bondade, compaixão, alegria altruísta e equanimidade. Depende inteiramente de nós aonde nossa atenção é focada.
Como resultado da meditação, aprendemos que nós podemos escolher o que pensar, que é uma nova e valiosa abordagem aos nossos estados mentais. É dessa maneira também que finalmente mudamos nossa consciência para a consciência do Dhamma o tempo todo. Teremos então aprendido como abandonar aqueles pensamentos que não estão de acordo com a verdade absoluta.
A impermanência das nossas sensações e emoções, experienciada durante a meditação, deveria dar origem a um insight em relação à natureza impermanente de todo o nosso ser. E o fato do nosso corpo parecer tão sólido na sua forma é apenas uma manifestação do elemento terra, e na verdade não é nada mais do que ilusão ótica.
Quando experienciamos as sensações e emoções como totalmente impermanentes, sabendo que nós habitualmente vivemos reagindo a elas, nós começamos a nos ver pequenos e menos sólidos do que antes, e pode ser que comecemos a questionar onde é que um “eu” pode ser encontrado dentro dessa constante mudança.
Isso nos dá a oportunidade de colocar menos importância nas nossas emoções, da mesma forma que aprendemos a considerar os nossos pensamentos menos importantes quando os rotulamos durante a nossa prática de meditação e vemos de quão pouca utilidade eles são – que eles são na realidade dukkha, porque eles estão constantemente se movendo, mudando e perturbando.
A maioria das pesssoas reagem automaticamente às suas emoções e justificam isso com a asserção de que simplesmente é assim que elas sentem. Todos nós já fizemos isso. Existem esses letreiros de pára-choques na América que proclamam, “se é bom, deve ser correto”. Essa afirmação não só é tola, mas perigosa.
Podemos ver em tudo isso quanta importância têm as emoções. E enquanto a nossa consciência não tiver se tornado uma consciência do Dhamma, nós cairemos nessa armadilha. Agora nós temos uma oportunidade para uma nova abordagem. Emoções e sensações são impermanentes e inteiramente dependentes de onde nós fixamos a nossa atenção. Como podem elas ter uma significância real, que vai além do seu surgimento e cessação? Obviamente, nós não nos lembraremos sempre de adotar essa nova abordagem, mas pelo menos temos um método para lidar com as nossas emoções que, por fim, se tornará parte do nosso ser. Quando nos sentamos em silêncio, e nada acontecendo, é mais fácil aprender novos métodos para lidar com nós mesmos. De fato, não é nada difícil abandonar uma sensação ou emoção e cuidar de outra. Mas precisamos ser capazes de trazer essa habilidade para o escritório e para a cozinha, quando alguém nos dá uma “bronca” ou exige atenção; e quando tivermos feito isso repetidamente na meditação, isso se tornará muito mais fácil. Nós não mais seremos pegos pelas nossas emoções e pelas nossas reações a elas.
Essa atitude nos traz para um ponto dentro da origem dependente que é a porta que nos levará para fora da esfera do nascimento e morte: isto é, a prática da equanimidade em resposta às sensações, ao invés do costumeiro “gosto” e “não gosto”, em resumo, “desejo” e “raiva”. Através da atenção plena nós aprenderemos a fazer o tipo certo de escolha. E se escolhermos o Dhamma, encontraremos tranquilidade e harmonia dentro de nós.
Meditação Guiada da Atenção Plena nas emoções e sensações ou Varredura
Nesse momento precisamos nos familiarizar com o ponto no corpo que chamamos de “topo da cabeça”, que é uma depressão bem raza que todos temos no topo da nossa cabeça. Num bebê, é a moleira, onde os ossos crescem e se juntam mais tarde. Podemos encontrá-la tres ou quatro dedos de largura, para trás da raiz dos cabelos na testa. O outro ponto é a coroa da cabeça, que é mais ou menos do tamanho de uma moeda grande, onde o cabelo cresce em várias direções. Algumas pessoas têm-na do lado esquerdo, outras do lado direito e algumas bem no meio da cabeça. Onde quer que a tenhamos, este é o ponto.
Comece prestando atenção à sensação gerada pelo ar da respiração nas narinas. Tome consciência dessa sensação por algum tempo.
Agora transfira a sua atenção para o “topo da cabeça”, abandone a respiração e deixe tudo o mais para trás. Ponha a sua total atenção no topo da cabeça e note qualquer sensação que possa ser sentida ali: cócegas, peso, pressão, formigamento, se é agradável ou desagradável, movimento, imobilidade, calor, frio – qualquer uma dessas ou qualquer outra. Você não precisa nomear a sensação, mas se quiser, pode. Eu as estou nomeando para exemplificar.
Lentamente, mude a sua atenção do topo da cabeça para a coroa, movendo a sua atenção para trás do topo da cabeça, ponto por ponto, consciente de cada ponto. Note a sensação, a emoção; deixe-a e siga para o próximo ponto. Tente cobrir todo o topo da cabeça. Sensação é física e emoção é emocional.
Note qualquer coisa que possa surgir; abandone-a e foque no próximo ponto: solidez, suavidade, pressão, formigamento, contração, expansão, calor, pulsação, batimento, golpe, desagrado... a sensação pode ser na pele ou sob a pele. Pode ser profunda ou na superfície. A única coisa que realmente importa é estar consciente dela.
Agora concentre-se na coroa, uma pequena área. Fique consciente da sensação. Tente voltar para dentro de si mesmo de tal modo que os sentimentos e sensações se tornem aparentes.
Vagarosamente mude a sua atenção da coroa para toda a parte de trás da cabeça até a base do crânio, onde o pescoço se junta com a cabeça. Dê a sua total atenção para cada ponto, notando, abandonando o que notou e seguindo adiante para o próximo ponto.
Agora coloque a sua completa atenção no lado esquerdo da cabeça, lentamente movendo-a do topo para baixo até a linha da mandíbula, e da raiz do cabelo, na frente, até a parte detrás da orelha.
Concentre-se em cada ponto, movendo a sua atenção vagarosamente para baixo, tornando-se consciente de cada emoção ou de cada sensação... notando solidez, toque, tensão, relaxamento, qualquer coisa que surgir. Note, abandone-a e siga adiante para o próximo ponto.
Traga a sua atenção para o lado direito da cabeça, lentamente movendo do topo da cabeça para a linha da mandíbula, da raiz do cabelo, na frente, até a parte detrás da orelha.
Dê total atenção a cada ponto à medida que você move a sua atenção para baixo, conscientizando-se da sensação, conscientizando-se da emoção, na pele ou sob a pele, dentro ou na superfície. Estar consciente é o que conta.
Coloque toda a sua atenção na raiz do cabelo sobre a testa e lentamente mova-a para baixo, abrangendo toda a extensão da testa até as sombrancelhas, ponto por ponto. Note o que quer que surja: pulsação, movimento, pressão, batimento, agradável ou desagradável.
Agora volte toda a sua atenção para o olho esquerdo, e tudo envolta dele, o globo ocular, as pálpebras; note a sensação ou qualquer emoção: pressão, peso, escuridão, luz, o contato, tremor, imobilidade.
Em seguida, transfira a sua atenção para o olho direito. Tudo em volta dele, o globo ocular, as pálpebras; note a sensação ou qualquer emoção da qual você tenha consciência.
Concentre-se no ponto entre as sombrancelhas. Lentamente mova-a para baixo para a ponta do nariz, notando ponto por ponto: solidez, suavidade, formigamento, pode ser qualquer uma destas ou qualquer outra sensação da qual você tenha consciência.
Agora fixe a sua atenção nas narinas. Vagarosamente mova-a para dentro do nariz, notando a sensação do ar, movimento, espaço, confinamento, abertura, coceira, humidade, sequidão, contato.
Concentre-se na pequena área entre a ponta do nariz e o lábio superior, a extensão toda do lábio superior. Note qualquer sensação ou qualquer emoção que surja: contato, movimento, tremor, imobilidade, peso, leveza.
Mova a sua atenção para os lábios, superior e inferior. Note o contato, pressão, contração, humidade, sequidão, agradável ou desagradável, qualquer uma destas ou quaisquer outras.
Coloque a sua atenção dentro da boca. Fique consciente de qualquer sensação ou emoção. Mova de um ponto para outro, cobrindo toda a área.
Coloque toda a sua atenção no queixo. Fique consciente de como é que você o sente.
Mova a sua atenção para a bochecha esquerda, movendo-a lentamente para baixo, do olho até a linha da mandíbula. Com a sua atenção em cada ponto, note qualquer sensação ou emoção; abandone-a e mova para o próximo ponto.
Concentre-se na bochecha direita, movendo vagarosamente para baixo, do olho até a linha da mandíbula, ponto por ponto. Conscientize-se da sensação ou emoção; notando, abandonando e movendo para o próximo ponto. A sensação pode ser fraca ou definida, não importa.
Coloque sua atenção na garganta. Movendo lentamente da linha da mandíbula para onde o pescoço se junta ao tronco, ponto por ponto, do lado de dentro ou do lado de fora, notando o contato, calor, obstrução, peso, leveza, pulsação.
Mova a sua atenção para a parte de trás da garganta, começando na base da cabeça, movendo lentamente para baixo onde o pescoço se junta ao tronco. Observe cada ponto, tenso, relaxado, nodoso, agradável ou desagradável, como se houvesse algo cutucando, golpeando, cócegas, formigamento – qualquer uma destas ou quaisquer outras.
Coloque toda a sua atenção no ombro esquerdo. Movendo lentamente do pescoço ao longo do topo do ombro até onde o braço esquerdo se junta. Observe cada ponto, tornando-se consciente de cada sensação ou emoção: tenso, relaxado, pesado, sobrecarregado; o que quer que surja, observando, abandonando e seguindo diante para o próximo ponto.
Agora volte a sua atenção para a parte superior do braço esquerdo, movendo lentamente para baixo, do ombro até o cotovelo, por todo o braço, conscientizando-se de cada ponto à medida que você percorre essa área. Observe a sensação, a emoção; abandone-a e continue até o próximo ponto. Note o contato, calor, movimento, peso, leveza, contração, expansão.
Concentre-se no cotovelo esquerdo. É uma pequena área, portanto deixe que tudo o mais se vá. Preste atenção exclusivamente no cotovelo esquerdo e em nenhuma outra parte do corpo e observe a sensação e a emoção que surgir.
Ponha toda a sua atenção no antebraço esquerdo. Vagarosamente mova do cotovelo até o pulso, por todo o antebraço, ponto por ponto; observe, abandone e continue até o próximo ponto, na pele ou sob a pele, na superfície ou mais profundamente. Chegue bem perto das sua próprias sensações e emoções.
Mova a sua atenção para o pulso esquerdo, por todo o pulso. Note a pulsação, batimento, contração, contato.
Em seguida, concentre-se no dorso da mão esquerda, do pulso até onde os dedos se juntam. Coloque a sua atenção na palma da mão esquerda, do pulso até onde os dedos se juntam. Foque a sua atenção na parte de baixo dos cinco dedos da mão esquerda. Lentamente mova ao longo dos dedos até a ponta. Coloque toda a sua atenção na ponta dos cinco dedos e aí mentalmente faça um movimento da ponta dos dedos para longe deles, para o interior da sala de meditação.
Coloque toda a sua atenção no ombro direito. Movendo vagarosamente do pescoço ao longo do topo do ombro até onde o braço direito se junta. Note cada ponto: peso, contração, nodoso, tenso, relaxado, sobrecarregado, dor, tristeza, raiva, resistência, qualquer coisa, seja o que for. Observe, abandone e siga para o próximo ponto.
Mova a sua atenção para o braço direito. Movendo lentamente do ombro para o cotovelo, por todo o braço. Ponto por ponto, na pele ou sob a pele: solidez, suavidade, calor, frio, contato, movimento, imobilidade.
Concentre-se no cotovelo direito. Deixe que tudo o mais se vá; preste atenção só nesta pequena área e observe as sensações: latejante, contraído, elétrico.
Coloque a sua atenção no antebraço direito. Movendo lentamente do cotovelo para o pulso, por toda parte. Observe a superfície ou bem profundamente.
Em seguida, mova a sua atenção para o dorso da mão direita, do pulso até onde os dedos se juntam. Ponha a sua atenção na palma da mão direita, do pulso até onde os dedos se juntam. Foque a sua atenção na parte de baixo dos cinco dedos da mão direita. Lentamente mova ao longo dos dedos até a ponta. Coloque toda a sua atenção na ponta dos cinco dedos e aí mentalmente faça um movimento da ponta dos dedos para longe deles, para o interior dentro da sala de meditação.
Ponha toda a sua atenção no lado esquerdo da parte da frente do tronco. Mova lentamente do ombro esquerdo até a cintura, tocando cada ponto à medida que você move a sua atenção.
Observe a emoção ou sensação: restrição, expansão, golpes, peso, leveza, formigamento, solidez, suavidade, rejeição, resistência, preocupação, medo, o que quer que surja na superfície, observe, deixe que se vá e continue até o próximo ponto.
Mova a sua atenção para o lado direito da parte da frente do tronco; movendo lentamente do ombro direito até a cintura, tocando em cada ponto com plena atenção.
Coloque toda a sua atenção na parte da frente da cintura. Observe a sensação: firmeza, flacidez. Mova lentamente da cintura para a virilha, até a parte mais baixa do tronco, ponto por ponto, tomando consciência da sensação, da emoção, abandonando-a e movendo para o próximo ponto, tornando-se consciente de como você sente cada ponto.
Coloque a sua atenção do lado esquerdo das costas, movendo lentamente do ombro até a cintura, prestando atenção a cada ponto, tornando-se consciente da sensação e da emoção, abandonando-a e observando o próximo ponto: tensão, nodoso, preocupação, contato, calor, movimento, solidez, suavidade, formigamento.
Coloque toda a sua atenção no lado direito das costas, movendo lentamente do ombro até a cintura, com plena atenção em cada ponto.
Ponha toda a sua atenção na parte de trás da cintura: contraída, expandida, espasmódica, golpes, cutucação. Começando da cintura, mova lentamente até a nádega esquerda, onde a perna se junta. Observe ponto por ponto, na pele, sob a pele, mais profundamente ou na superfície. Observe, abandone e mova para o próximo ponto: peso, contato, pressão.
Mova para o lado direito da parte de trás da cintura. Vagarosamente desloque a atenção para a nádega direita, até onde a perna se junta. Observe cada ponto, cada sensação.
Concentre-se na coxa direita. Movendo vagarosamente da virilha até o joelho, por toda parte; observando a pressão, contato, sensação desagradável, dor aguda, cutucação. Observe, abandone e continue até o próximo ponto.
Concentre-se no joelho direito, por toda parte, dentro e fora.
Coloque a sua atenção na perna. Movendo lentamente do joelho até o tornozelo, por toda parte, reconhecendo cada ponto.
Coloque a sua atenção no tornozelo direito. Observe a pressão, contato, solidez, suavidade.
Ponha a sua atenção no calcanhar direito, uma área pequena. Deixe que todo o resto se vá e dê toda a sua atenção para essa área.
Coloque toda a sua atenção na sola do pé direito, movendo do calcanhar até onde os dedos do pé se juntam. Fique consciente de cada ponto. Observe a sensação ou emoção: maciez, aspereza, calor, contato, golpes, repuxo.
Coloque a sua atenção no peito do pé direito, do tornozelo até onde os dedos do pé se juntam, ponto por ponto, observando dentro e fora. Ponha a sua total atenção na base dos 5 dedos do pé direito. Lentamente movendo ao longo dos dedos até a ponta. Ponha a sua atenção na ponta dos cinco dedos e faça um movimento com a mente para longe deles, da ponta dos dedos para dentro da sala de meditação.
Em seguida, mova a sua atenção para a coxa esquerda. Lentamente mova da virilha para o joelho, por toda parte, ponto por ponto. Observe, abandone e vá para o próximo ponto.
Ponha toda a sua atenção no joelho esquerdo, por toda parte, em volta, dentro, fora, completamente consciente das emoções e sensações.
Concentre-se na perna esquerda. Lentamente mova do joelho para o tornozelo, por toda parte. Observe a pressão, peso, solidez, dureza, contato, golpes, pontadas, formigamento. Seja o que for, observe, abandone e mova a sua atenção para o próximo ponto.
Ponha toda a sua atenção no tornozelo esquerdo, por toda parte. Observe o contato, pressão, resistência, rejeição.
Mova a sua atenção para o calcanhar esquerdo, uma pequena área. Deixe que tudo o mais se vá. Dê total atenção para essa área.
Coloque toda a sua atenção na sola do pé esquerdo. Lentamente movendo do calcanhar para onde os dedos do pé se juntam. Observe cada ponto: pressão, contato, calor.
Coloque toda a sua atenção no peito do pé, do tornozelo até onde os dedos do pé se juntam, ponto por ponto, observando, completamente consciente. Mova a sua atenção para a base dos cinco dedos do pé esquerdo. Movendo vagarosamente ao longo dos dedos até a ponta. Ponha toda a sua atenção na ponta dos cinco dedos. Faça um movimento com a mente para longe deles, da ponta dos dedos para o interior da sala de meditação.
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Algumas dicas do professor Leigh Brasington:
Coloque a sua atenção numa área pequena, de mais ou menos 4 cms de diâmetro.
Se, no início, ao colocar a sua atenção no topo da cabeça, a concentração estiver fraca e você não puder sentir nenhuma sensação, depois de colocar a sua atenção ali, mova-a para a parede à sua esquerda e em seguida volte ao topo da cabeça. Mova a sua atenção deste modo várias vezes.
Se você perder a concentração no meio da varredura, vá para o ponto onde você sentiu alguma sensação e mova a sua atenção para a parede à sua direita, mova-a várias vezes até sentir a concentração recuperada. Faça a varredura no corpo todo em não menos do que 30 minutos e no máximo 50 minutos, para que ela não se torne maçante.
Se sentir náusea durante a varredura, é por que você está eliminando lixo emocional do passado, é muito bom sinal.
Introdução e meditação guiada
Ayya Khema
Introdução
Esse método de meditação é com frequência chamado de vipassana, mas esse é na verdade um nome incorreto, porque vipassana significa “insight”. Não se pode dizer que um método é insight; insight se manifesta com a claridade da mente.
Portanto, nós comumente o chamamos de “varredura”, porém não devemos fazer nenhuma conexão com uma vassoura. A “varredura” que vamos fazer é chamada “parte por parte.”
Em um aspecto, esse é um método de purificação. Porque o caminho todo do Buda é o da purificação, e qualquer coisa que possamos usar para nos ajudar ao longo dele é uma ajuda bem-vinda.
Esse método de purificação é bem específico e se torna claro quando nos lembramos que nossas reações físicas às nossas emoções são constantes e imediatas e que somos incapazes de pará-las.
Se estamos felizes, que é uma emoção, nós provavelmente sorrimos ou damos risada.
Se estamos infelizes, nós provavelmente choramos ou fazemos um cara infeliz, ou franzimos as sombrancelhas.
Se estamos zangados, podemos ficar vermelhos ou com a fisionomia enrigecida.
Se estamos ansiosos, por exemplo, no meio de um trânsito pesado, nossos ombros se contraem; existem muito poucas pessoas que não têm tensão nos ombros. Embora seja irrelevante saber que emoção está ligada a esta ou aquela parte do corpo. Nossas reações emocionais não têm nenhuma outra maneira de se manifestar que não através do nosso corpo.
Desde o nascimento, nós lidamos com as nossas emoções dessa maneira, ou talvez, nós poderíamos dizer que lidamos mal. O corpo tem sempre reagido e talvez retido algumas dessas reações em forma de tensões e bloqueios.
Esse método de meditação tem o potencial de remover esses bloqueios ou pelo menos de transformá-los em algo menos obstrutivo, dependendo da força da nossa concentração e também do nosso kamma.
Imagine por um momento que algumas pessoas têm vivido nesta sala nos últimos trinta anos, e nunca a limparam. Elas teriam deixado restos de comida, excremento, roupas sujas e louça suja; e nunca teriam varrido o chão.
Agora o lugar estaria sujo e bagunçado, do chão até o teto. Então, um amigo viria e diria aos ocupantes: “Porque vocês não varrem pelo menos um cantinho, onde vocês possam se sentar confortavelmente?”
Nossos amigos que estariam vivendo aqui fariam isso e descobririam que esse cantinho é muito mais confortável do que anteriormente, apesar deles não terem sido capazes de imaginar isso antes da limpeza. Agora eles se sentem motivados a limpar todo o restante da sala.
Eles descobrem que eles podem agora ver lá fora, através das janelas e toda a perspectiva de viver neste lugar se torna muito mais agradável.
É claro que qualquer pessoa poderia ter se mudado para algum outro lugar quando a bagunça se tornasse muito insuportável, mas todos nós somos muito presos ao nosso corpo. Não podemos nos afastar dele.
Podemos mudar a nossa residência muitas vezes durante a nossa vida – seja de cidade ou país, de um apartamento ou de uma casa, de estar com amigos a estar sozinho, de um país para outro – mas o nosso corpo nos acompanha sempre. É a nossa vivenda permanente até que ele se desagrega e morre, e vira pó.
E enquanto temos o nosso corpo, poderíamos também tentar fazer o melhor uso dele, pois de outro modo, teremos perturbação e aborrecimento na nossa meditação. Acontece todo tipo de coisas que não queremos que aconteça.
Quando nós tomamos um banho, tudo que podemos fazer é lavar a nossa pele. Todos nós sabemos que consistimos de muito mais do que só pele, mas ainda assim é tudo que podemos limpar. Dia após dia, temos uma pele limpa e agradável e provavelmente cabelo limpo também. Isso é tudo que conseguimos fazer. O método vipassana na sua primeira aplicação pode se parecer com um banho interno. O que a mente plantou através de reações emocionais, ela pode remover através do abandono.
O abandono é o segredo da purificação. Cada vez que movemos de um ponto no corpo para o próximo, temos o abandono do que quer que tenha surgido no ponto anterior.
No final, nós deixamos ir todas as sensações e emoções através da ponta dos nossos dedos das mãos e dos pés para o interior da sala de meditação, porque não existe mais nenhuma outra parte do corpo para a qual nós possamos mover a nossa atenção.
E através disso, nós fazemos uma limpeza, tomamos um banho interno e fazemos a remoção de alguns bloqueios interiores. E como isso é de grande ajuda fisicamente, nossa mente também fica mais relaxada. E agora como já não temos tantas dificuldades com o corpo, podemos usar nossa energia mental livre do desconforto.
Essa técnica tem também uma propriedade de cura. Qualquer pessoa com alguma concentração pode facilmente se livrar de uma dor de cabeça ou mesmo dor nas costas. Algumas doenças que já estão profundamente enraizadas serão mais difíceis de erradicar, podendo até mesmo ser impossível se livrar delas. A técnica tem no entanto, muitas outras possibilidades.
Um dos seus importantes aspectos é que aprendemos a abandonar os nossos sentimentos, de forma que não precisemos reagir a eles. Os sentimentos compreendem as sensações físicas e as emoções.
A única porta, em toda a origem dependente mundana, através da qual nós podemos sair do samsara, é a não reação a essas sensações e emoções, e com isso vem o abandono do apego. Apego tem sempre o significado de “querer ter” ou “querer se ver livre de”.
Não precisamos estar viciados, no sentido estrito da palavra, só o fato de querer manter a posse ou de querer mais de algo, ou rejeitar algo, ou querer destruir, já é o suficiente. Aqui nós temos um método através do qual podemos realmente nos tornar conscientes das nossas sensações, sem que seja necessário qualquer reação.
Mesmo se a raiva surgir, essa é uma ocasião em que sabemos com certeza que ninguém a causou. E essa poderá ser a primeira vez na nossa vida que estaremos conscientes da raiva surgindo, sem que nada fora de nós a tenha despertado. O mesmo se aplica à dor, preocupação, medo ou qualquer outra das nossas sensações e emoções.
Esse método também nos dá a oportunidade de nos tornarmos conscientes das sensações que de vez em quando são desagradáveis. Se as abandonarmos e movermos nossa atenção para a próxima parte do nosso corpo, nós desempenharemos a mesma ação – isto é, não reação a uma sensação desagradável através do abandono da rejeição. Nós abandonamos uma sensação quando colocamos a nossa atenção em algum outro lugar.
Esse método nos ensina a lidar com todas as nossas sensações e emoções com equanimidade. Porém, a repetição para nós mesmos, inúmeras vezes, de que esse é o único modo de lidar com as sensações e emoções, mas sem praticá-lo, não nos capacitará nesta tarefa. A compreensão – estar intelectualmente consciente – é o primeiro passo, mas a menos que tenhamos uma prática estruturada, nós não poderemos aprender isso ou qualquer outra habilidade.
Gosto de comparar nossas sensações a um brinquedo de criança, o boneco pulador, que consiste de um palhaço preso numa mola, que pula para fora da caixa cada vez que a tampa é acionada. A criança só precisa tocar na tampa da caixa de leve e o palhaço pula para fora. Aí alguém arranca o palhaço da caixa e quando a criança voltar a tocar a tampa, o palhaço não mais pulará para fora.
Isso é o que acontece dentro de nós. Nossas emoções estão embutidas no nosso coração. Nós só precisamos de uma pequena impulsão e ser tocados de leve que a raiva ou medo, ou desejo saltam para fora. E quando estes finalmente se vão, nem mesmo batendo com um martelo pode fazer com que eles reapareçam.
A purificação que nós aspiramos necessita de um caminho. É evidente que podemos praticar no nosso dia-a-dia, onde somos frequentemente tão confrontados por reações emocionais, mas um método de meditação é uma ajuda enorme e serve como um sistema de apoio.
Em primeiro lugar, porque não existe um agente externo e portanto fica bem claro que tudo está acontecendo dentro de nós. Na quietude e paz da prática da meditação é também muito mais fácil não reagir do que na imediatidade da confrontação – no calor da batalha, por assim dizer.
Aqui nós temos também um método de ganhar insight de várias maneiras. Durante a meditação guiada, mencionei solidez, calor, movimento. Todos os corpos consistem de quatro elementos primários e esses podem ser facilmente experienciados nessa meditação em particular.
Os elementos primários são: terra, água, fogo e ar.
Terra é o elemento da solidez, a dureza que nós podemos sentir quando nós tocamos o corpo ou quando o corpo toca a almofada, o chão ou a cadeira.
O elemento água não é só saliva, urina, suor e sangue, mas o elemento de coesão. Quando derramamos água num pouco de farinha, ela se torna uma massa. É por isso que setenta e oito por cento do nosso corpo é feito de água. Se assim não fosse, todas as partes estariam se movendo separadamente. Teríamos uma aparência um pouco estranha, mas talvez não tivéssemos um sentimento tão forte em relação ao nosso ego, se nós pudéssemos realmente observar todas as nossas células separadas. A água mantém juntas todas as partes do nosso corpo.
O elemento fogo é temperatura; nosso corpo sente o calor o frio ou o meio-termo. E existe o ar que são os ventos no corpo – a respiração e todos os movimentos físicos.
Quando experienciamos algum ou todos esses elementos dentro de nós, temos uma boa oportunidade de relacionar essa experiência com tudo ao nosso redor. Tudo que existe consiste desses quatro elementos e cada um deles contém os outros três em proporções variadas.
Por exemplo, a água tem que ter solidez, de outro modo nós não poderíamos nadar or remar um barco. Ganhar insight sobre o fato de que nós consistimos desses elementos nos ajuda a compreender que nós não somos diferentes do nosso meio ambiente. Não importa para onde olhemos, encontraremos esses quatro elementos. À medida que fixamos a nossa atenção nessa realidade, nosso sentimento de separação diminuirá e nós passaremos a nos sentir como parte de toda manifestação nesse universo.
Poderemos nos sentir inseridos nessa totalidade e não mais ameaçados pelas outras pessoas ou por catástrofes naturais ou não. Nós somos parte de um todo, o todo é parte de nós; não existe separação, nem alienação.
Quanto mais pudermos viver nessa realização, mais fácil será a purificação das nossas emoções com amor bondade, (metta).Quando não nos sentirmos mais separados dos outros, uma unidade única no meio de tantos, mas pudermos ver apenas uma manifestação universal, será muito mais fácil sentir metta pelos outros, porque essencialmente estaremos direcionando esse sentimento para nós mesmos.
Quando nos observamos à luz dos quatro elementos primários, nós também perdemos um pouco da nossa consciência profundamente impregnada do ego, que é a causa de todos os problemas que possam surgir. É impossivel encontrar o atributo “eu” numa combinação de terra, água, fogo e ar. Portanto, uma investigação contemplativa desses aspectos em nós mesmos pode produzir resultados de longo alcance.
Todos nós sabemos sobre a impermanência e provavelmente já ouvimos a palavra muitas vezes. E existem poucas pessoas no mundo que questionariam a impermanência, estejam elas seguindo uma prática espiritual em particular ou não.
Nós provavelmente poderíamos perguntar ao carteiro ou ao encarregado da loja da esquina se tudo é impermanente e eles com certeza concordariam que é assim mesmo.
Todos nós concordamos, mas temos que experienciar a impermanência para que ela deixe uma impressão em nós, e mesmo assim, nem sempre é o suficiente. Mas, quanto mais experienciarmos a impermanência, mais frequentemente nossa mente se voltará do seu modo habitual de pensar para o modo do Dhamma, que é uma virada de 180 graus. E é por isso que temos grandes dificuldades em pensar e viver no modo do Dhamma.
Mas, finalmente, se perseverarmos durante um período de tempo suficiente, se formos bem determinados e recebermos uma pequena ajuda no caminho, conseguiremos. À medida que nos distanciarmos do pensamento mundano, a impermanência se tornará uma das características proeminentes em tudo que nós experienciarmos.
Nesse método de meditação, nós focamos na impermanência de cada sensação e de cada emoção bem como no seu surgimento e cessação. Nós não só experienciamos a impermanência, como também compreendemos que nós só tomamos consciência de algo quando fixamos nossa atenção ali.
Se nós levarmos essa realização para o nosso dia-a-dia, notaremos que a vida se torna muito mais fácil. Não temos que colocar a nossa atenção em coisas que trazem problema, fazendo a vida mais difícil para nós mesmos.
Quando experienciamos negativismo, não precisamos mantê-lo na nossa consciência. Somos livres para movermos nossa atenção para o que é realmente verdadeiro, ou seja, impermanência, insatisfação e o não-eu. Ou podemos nos conectar com as emoções puras do amor bondade, compaixão, alegria altruísta e equanimidade. Depende inteiramente de nós aonde nossa atenção é focada.
Como resultado da meditação, aprendemos que nós podemos escolher o que pensar, que é uma nova e valiosa abordagem aos nossos estados mentais. É dessa maneira também que finalmente mudamos nossa consciência para a consciência do Dhamma o tempo todo. Teremos então aprendido como abandonar aqueles pensamentos que não estão de acordo com a verdade absoluta.
A impermanência das nossas sensações e emoções, experienciada durante a meditação, deveria dar origem a um insight em relação à natureza impermanente de todo o nosso ser. E o fato do nosso corpo parecer tão sólido na sua forma é apenas uma manifestação do elemento terra, e na verdade não é nada mais do que ilusão ótica.
Quando experienciamos as sensações e emoções como totalmente impermanentes, sabendo que nós habitualmente vivemos reagindo a elas, nós começamos a nos ver pequenos e menos sólidos do que antes, e pode ser que comecemos a questionar onde é que um “eu” pode ser encontrado dentro dessa constante mudança.
Isso nos dá a oportunidade de colocar menos importância nas nossas emoções, da mesma forma que aprendemos a considerar os nossos pensamentos menos importantes quando os rotulamos durante a nossa prática de meditação e vemos de quão pouca utilidade eles são – que eles são na realidade dukkha, porque eles estão constantemente se movendo, mudando e perturbando.
A maioria das pesssoas reagem automaticamente às suas emoções e justificam isso com a asserção de que simplesmente é assim que elas sentem. Todos nós já fizemos isso. Existem esses letreiros de pára-choques na América que proclamam, “se é bom, deve ser correto”. Essa afirmação não só é tola, mas perigosa.
Podemos ver em tudo isso quanta importância têm as emoções. E enquanto a nossa consciência não tiver se tornado uma consciência do Dhamma, nós cairemos nessa armadilha. Agora nós temos uma oportunidade para uma nova abordagem. Emoções e sensações são impermanentes e inteiramente dependentes de onde nós fixamos a nossa atenção. Como podem elas ter uma significância real, que vai além do seu surgimento e cessação? Obviamente, nós não nos lembraremos sempre de adotar essa nova abordagem, mas pelo menos temos um método para lidar com as nossas emoções que, por fim, se tornará parte do nosso ser. Quando nos sentamos em silêncio, e nada acontecendo, é mais fácil aprender novos métodos para lidar com nós mesmos. De fato, não é nada difícil abandonar uma sensação ou emoção e cuidar de outra. Mas precisamos ser capazes de trazer essa habilidade para o escritório e para a cozinha, quando alguém nos dá uma “bronca” ou exige atenção; e quando tivermos feito isso repetidamente na meditação, isso se tornará muito mais fácil. Nós não mais seremos pegos pelas nossas emoções e pelas nossas reações a elas.
Essa atitude nos traz para um ponto dentro da origem dependente que é a porta que nos levará para fora da esfera do nascimento e morte: isto é, a prática da equanimidade em resposta às sensações, ao invés do costumeiro “gosto” e “não gosto”, em resumo, “desejo” e “raiva”. Através da atenção plena nós aprenderemos a fazer o tipo certo de escolha. E se escolhermos o Dhamma, encontraremos tranquilidade e harmonia dentro de nós.
Meditação Guiada da Atenção Plena nas emoções e sensações ou Varredura
Nesse momento precisamos nos familiarizar com o ponto no corpo que chamamos de “topo da cabeça”, que é uma depressão bem raza que todos temos no topo da nossa cabeça. Num bebê, é a moleira, onde os ossos crescem e se juntam mais tarde. Podemos encontrá-la tres ou quatro dedos de largura, para trás da raiz dos cabelos na testa. O outro ponto é a coroa da cabeça, que é mais ou menos do tamanho de uma moeda grande, onde o cabelo cresce em várias direções. Algumas pessoas têm-na do lado esquerdo, outras do lado direito e algumas bem no meio da cabeça. Onde quer que a tenhamos, este é o ponto.
Comece prestando atenção à sensação gerada pelo ar da respiração nas narinas. Tome consciência dessa sensação por algum tempo.
Agora transfira a sua atenção para o “topo da cabeça”, abandone a respiração e deixe tudo o mais para trás. Ponha a sua total atenção no topo da cabeça e note qualquer sensação que possa ser sentida ali: cócegas, peso, pressão, formigamento, se é agradável ou desagradável, movimento, imobilidade, calor, frio – qualquer uma dessas ou qualquer outra. Você não precisa nomear a sensação, mas se quiser, pode. Eu as estou nomeando para exemplificar.
Lentamente, mude a sua atenção do topo da cabeça para a coroa, movendo a sua atenção para trás do topo da cabeça, ponto por ponto, consciente de cada ponto. Note a sensação, a emoção; deixe-a e siga para o próximo ponto. Tente cobrir todo o topo da cabeça. Sensação é física e emoção é emocional.
Note qualquer coisa que possa surgir; abandone-a e foque no próximo ponto: solidez, suavidade, pressão, formigamento, contração, expansão, calor, pulsação, batimento, golpe, desagrado... a sensação pode ser na pele ou sob a pele. Pode ser profunda ou na superfície. A única coisa que realmente importa é estar consciente dela.
Agora concentre-se na coroa, uma pequena área. Fique consciente da sensação. Tente voltar para dentro de si mesmo de tal modo que os sentimentos e sensações se tornem aparentes.
Vagarosamente mude a sua atenção da coroa para toda a parte de trás da cabeça até a base do crânio, onde o pescoço se junta com a cabeça. Dê a sua total atenção para cada ponto, notando, abandonando o que notou e seguindo adiante para o próximo ponto.
Agora coloque a sua completa atenção no lado esquerdo da cabeça, lentamente movendo-a do topo para baixo até a linha da mandíbula, e da raiz do cabelo, na frente, até a parte detrás da orelha.
Concentre-se em cada ponto, movendo a sua atenção vagarosamente para baixo, tornando-se consciente de cada emoção ou de cada sensação... notando solidez, toque, tensão, relaxamento, qualquer coisa que surgir. Note, abandone-a e siga adiante para o próximo ponto.
Traga a sua atenção para o lado direito da cabeça, lentamente movendo do topo da cabeça para a linha da mandíbula, da raiz do cabelo, na frente, até a parte detrás da orelha.
Dê total atenção a cada ponto à medida que você move a sua atenção para baixo, conscientizando-se da sensação, conscientizando-se da emoção, na pele ou sob a pele, dentro ou na superfície. Estar consciente é o que conta.
Coloque toda a sua atenção na raiz do cabelo sobre a testa e lentamente mova-a para baixo, abrangendo toda a extensão da testa até as sombrancelhas, ponto por ponto. Note o que quer que surja: pulsação, movimento, pressão, batimento, agradável ou desagradável.
Agora volte toda a sua atenção para o olho esquerdo, e tudo envolta dele, o globo ocular, as pálpebras; note a sensação ou qualquer emoção: pressão, peso, escuridão, luz, o contato, tremor, imobilidade.
Em seguida, transfira a sua atenção para o olho direito. Tudo em volta dele, o globo ocular, as pálpebras; note a sensação ou qualquer emoção da qual você tenha consciência.
Concentre-se no ponto entre as sombrancelhas. Lentamente mova-a para baixo para a ponta do nariz, notando ponto por ponto: solidez, suavidade, formigamento, pode ser qualquer uma destas ou qualquer outra sensação da qual você tenha consciência.
Agora fixe a sua atenção nas narinas. Vagarosamente mova-a para dentro do nariz, notando a sensação do ar, movimento, espaço, confinamento, abertura, coceira, humidade, sequidão, contato.
Concentre-se na pequena área entre a ponta do nariz e o lábio superior, a extensão toda do lábio superior. Note qualquer sensação ou qualquer emoção que surja: contato, movimento, tremor, imobilidade, peso, leveza.
Mova a sua atenção para os lábios, superior e inferior. Note o contato, pressão, contração, humidade, sequidão, agradável ou desagradável, qualquer uma destas ou quaisquer outras.
Coloque a sua atenção dentro da boca. Fique consciente de qualquer sensação ou emoção. Mova de um ponto para outro, cobrindo toda a área.
Coloque toda a sua atenção no queixo. Fique consciente de como é que você o sente.
Mova a sua atenção para a bochecha esquerda, movendo-a lentamente para baixo, do olho até a linha da mandíbula. Com a sua atenção em cada ponto, note qualquer sensação ou emoção; abandone-a e mova para o próximo ponto.
Concentre-se na bochecha direita, movendo vagarosamente para baixo, do olho até a linha da mandíbula, ponto por ponto. Conscientize-se da sensação ou emoção; notando, abandonando e movendo para o próximo ponto. A sensação pode ser fraca ou definida, não importa.
Coloque sua atenção na garganta. Movendo lentamente da linha da mandíbula para onde o pescoço se junta ao tronco, ponto por ponto, do lado de dentro ou do lado de fora, notando o contato, calor, obstrução, peso, leveza, pulsação.
Mova a sua atenção para a parte de trás da garganta, começando na base da cabeça, movendo lentamente para baixo onde o pescoço se junta ao tronco. Observe cada ponto, tenso, relaxado, nodoso, agradável ou desagradável, como se houvesse algo cutucando, golpeando, cócegas, formigamento – qualquer uma destas ou quaisquer outras.
Coloque toda a sua atenção no ombro esquerdo. Movendo lentamente do pescoço ao longo do topo do ombro até onde o braço esquerdo se junta. Observe cada ponto, tornando-se consciente de cada sensação ou emoção: tenso, relaxado, pesado, sobrecarregado; o que quer que surja, observando, abandonando e seguindo diante para o próximo ponto.
Agora volte a sua atenção para a parte superior do braço esquerdo, movendo lentamente para baixo, do ombro até o cotovelo, por todo o braço, conscientizando-se de cada ponto à medida que você percorre essa área. Observe a sensação, a emoção; abandone-a e continue até o próximo ponto. Note o contato, calor, movimento, peso, leveza, contração, expansão.
Concentre-se no cotovelo esquerdo. É uma pequena área, portanto deixe que tudo o mais se vá. Preste atenção exclusivamente no cotovelo esquerdo e em nenhuma outra parte do corpo e observe a sensação e a emoção que surgir.
Ponha toda a sua atenção no antebraço esquerdo. Vagarosamente mova do cotovelo até o pulso, por todo o antebraço, ponto por ponto; observe, abandone e continue até o próximo ponto, na pele ou sob a pele, na superfície ou mais profundamente. Chegue bem perto das sua próprias sensações e emoções.
Mova a sua atenção para o pulso esquerdo, por todo o pulso. Note a pulsação, batimento, contração, contato.
Em seguida, concentre-se no dorso da mão esquerda, do pulso até onde os dedos se juntam. Coloque a sua atenção na palma da mão esquerda, do pulso até onde os dedos se juntam. Foque a sua atenção na parte de baixo dos cinco dedos da mão esquerda. Lentamente mova ao longo dos dedos até a ponta. Coloque toda a sua atenção na ponta dos cinco dedos e aí mentalmente faça um movimento da ponta dos dedos para longe deles, para o interior da sala de meditação.
Coloque toda a sua atenção no ombro direito. Movendo vagarosamente do pescoço ao longo do topo do ombro até onde o braço direito se junta. Note cada ponto: peso, contração, nodoso, tenso, relaxado, sobrecarregado, dor, tristeza, raiva, resistência, qualquer coisa, seja o que for. Observe, abandone e siga para o próximo ponto.
Mova a sua atenção para o braço direito. Movendo lentamente do ombro para o cotovelo, por todo o braço. Ponto por ponto, na pele ou sob a pele: solidez, suavidade, calor, frio, contato, movimento, imobilidade.
Concentre-se no cotovelo direito. Deixe que tudo o mais se vá; preste atenção só nesta pequena área e observe as sensações: latejante, contraído, elétrico.
Coloque a sua atenção no antebraço direito. Movendo lentamente do cotovelo para o pulso, por toda parte. Observe a superfície ou bem profundamente.
Em seguida, mova a sua atenção para o dorso da mão direita, do pulso até onde os dedos se juntam. Ponha a sua atenção na palma da mão direita, do pulso até onde os dedos se juntam. Foque a sua atenção na parte de baixo dos cinco dedos da mão direita. Lentamente mova ao longo dos dedos até a ponta. Coloque toda a sua atenção na ponta dos cinco dedos e aí mentalmente faça um movimento da ponta dos dedos para longe deles, para o interior dentro da sala de meditação.
Ponha toda a sua atenção no lado esquerdo da parte da frente do tronco. Mova lentamente do ombro esquerdo até a cintura, tocando cada ponto à medida que você move a sua atenção.
Observe a emoção ou sensação: restrição, expansão, golpes, peso, leveza, formigamento, solidez, suavidade, rejeição, resistência, preocupação, medo, o que quer que surja na superfície, observe, deixe que se vá e continue até o próximo ponto.
Mova a sua atenção para o lado direito da parte da frente do tronco; movendo lentamente do ombro direito até a cintura, tocando em cada ponto com plena atenção.
Coloque toda a sua atenção na parte da frente da cintura. Observe a sensação: firmeza, flacidez. Mova lentamente da cintura para a virilha, até a parte mais baixa do tronco, ponto por ponto, tomando consciência da sensação, da emoção, abandonando-a e movendo para o próximo ponto, tornando-se consciente de como você sente cada ponto.
Coloque a sua atenção do lado esquerdo das costas, movendo lentamente do ombro até a cintura, prestando atenção a cada ponto, tornando-se consciente da sensação e da emoção, abandonando-a e observando o próximo ponto: tensão, nodoso, preocupação, contato, calor, movimento, solidez, suavidade, formigamento.
Coloque toda a sua atenção no lado direito das costas, movendo lentamente do ombro até a cintura, com plena atenção em cada ponto.
Ponha toda a sua atenção na parte de trás da cintura: contraída, expandida, espasmódica, golpes, cutucação. Começando da cintura, mova lentamente até a nádega esquerda, onde a perna se junta. Observe ponto por ponto, na pele, sob a pele, mais profundamente ou na superfície. Observe, abandone e mova para o próximo ponto: peso, contato, pressão.
Mova para o lado direito da parte de trás da cintura. Vagarosamente desloque a atenção para a nádega direita, até onde a perna se junta. Observe cada ponto, cada sensação.
Concentre-se na coxa direita. Movendo vagarosamente da virilha até o joelho, por toda parte; observando a pressão, contato, sensação desagradável, dor aguda, cutucação. Observe, abandone e continue até o próximo ponto.
Concentre-se no joelho direito, por toda parte, dentro e fora.
Coloque a sua atenção na perna. Movendo lentamente do joelho até o tornozelo, por toda parte, reconhecendo cada ponto.
Coloque a sua atenção no tornozelo direito. Observe a pressão, contato, solidez, suavidade.
Ponha a sua atenção no calcanhar direito, uma área pequena. Deixe que todo o resto se vá e dê toda a sua atenção para essa área.
Coloque toda a sua atenção na sola do pé direito, movendo do calcanhar até onde os dedos do pé se juntam. Fique consciente de cada ponto. Observe a sensação ou emoção: maciez, aspereza, calor, contato, golpes, repuxo.
Coloque a sua atenção no peito do pé direito, do tornozelo até onde os dedos do pé se juntam, ponto por ponto, observando dentro e fora. Ponha a sua total atenção na base dos 5 dedos do pé direito. Lentamente movendo ao longo dos dedos até a ponta. Ponha a sua atenção na ponta dos cinco dedos e faça um movimento com a mente para longe deles, da ponta dos dedos para dentro da sala de meditação.
Em seguida, mova a sua atenção para a coxa esquerda. Lentamente mova da virilha para o joelho, por toda parte, ponto por ponto. Observe, abandone e vá para o próximo ponto.
Ponha toda a sua atenção no joelho esquerdo, por toda parte, em volta, dentro, fora, completamente consciente das emoções e sensações.
Concentre-se na perna esquerda. Lentamente mova do joelho para o tornozelo, por toda parte. Observe a pressão, peso, solidez, dureza, contato, golpes, pontadas, formigamento. Seja o que for, observe, abandone e mova a sua atenção para o próximo ponto.
Ponha toda a sua atenção no tornozelo esquerdo, por toda parte. Observe o contato, pressão, resistência, rejeição.
Mova a sua atenção para o calcanhar esquerdo, uma pequena área. Deixe que tudo o mais se vá. Dê total atenção para essa área.
Coloque toda a sua atenção na sola do pé esquerdo. Lentamente movendo do calcanhar para onde os dedos do pé se juntam. Observe cada ponto: pressão, contato, calor.
Coloque toda a sua atenção no peito do pé, do tornozelo até onde os dedos do pé se juntam, ponto por ponto, observando, completamente consciente. Mova a sua atenção para a base dos cinco dedos do pé esquerdo. Movendo vagarosamente ao longo dos dedos até a ponta. Ponha toda a sua atenção na ponta dos cinco dedos. Faça um movimento com a mente para longe deles, da ponta dos dedos para o interior da sala de meditação.
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Algumas dicas do professor Leigh Brasington:
Coloque a sua atenção numa área pequena, de mais ou menos 4 cms de diâmetro.
Se, no início, ao colocar a sua atenção no topo da cabeça, a concentração estiver fraca e você não puder sentir nenhuma sensação, depois de colocar a sua atenção ali, mova-a para a parede à sua esquerda e em seguida volte ao topo da cabeça. Mova a sua atenção deste modo várias vezes.
Se você perder a concentração no meio da varredura, vá para o ponto onde você sentiu alguma sensação e mova a sua atenção para a parede à sua direita, mova-a várias vezes até sentir a concentração recuperada. Faça a varredura no corpo todo em não menos do que 30 minutos e no máximo 50 minutos, para que ela não se torne maçante.
Se sentir náusea durante a varredura, é por que você está eliminando lixo emocional do passado, é muito bom sinal.
As Diversas Graduações da Visão Clara
Ajaan Brahmavamso
Meditação é o caminho para a renúncia. Primeiro você renuncia a todas as percepções de tempo para entrar no momento presente que é atemporal. Aí você abandona o diálogo interno para ficar tranquilamente no estado de atenção silenciosa.
Em seguida, você abandona a maior parte da atividade dos seus cinco sentidos só mantendo a atenção na sua respiração. Depois você abandona a sua respiração e fica observando o seu desaparecimento.
Nesse estágio, você não pode mais ver, ouvir, sentir, degustar ou sentir o tato. Parece que o seu corpo desapareceu e no seu lugar você está ciente de uma linda luz, o nimitta. O nimitta é um reflexo da citta, (mente), vista através do sexto meio dos sentidos.
Daí você abandona todo o controle para ser absorvido pela luz e entrar no êxtase do mundo do jhana. Assim, os jhanas acontecem automaticamente quando você realmente renuncia; eles são descritos como estados profundos de renúncia, abandono.
O Buda, repetidas vezes e de modo muito claro, afirmou que a plena iluminação não pode ser alcançada sem a experiência dos jhanas. No entanto, na atualidade, alguns mestres afirmam que o grau de desapego proporcionado pelos jhanas é desnecessário.
Usualmente, uma pessoa necessita de samadhi produndo – jhanas - para atingir poderes supra-humanos como esses. Levando-se em conta a sua vida passada, seguramente Bahiya deve ter tido uma predisposição para a meditação.
Além disso, ambos os poderes supra-humanos, do “ouvido divino”, que o capacitou a ouvir o deva, e o outro que fez com que ele viajasse tão rápido, sugerem ter ele sido praticante de jhana antes de ouvir o deva. Talvez essa fosse uma outra razão porque ele se considerava um arahant. Mas há outras evidências que sugerem que Bahiya praticava os jhanas, embora isso não esteja mencionado nos textos.
Poucas pessoas sabem que o mesmo ensinamento deste sutta também foi dado pelo Buda para o bhikkhu ancião Malunkyaputta, (SN XXXV.95). Malunkyaputta aparece várias vezes nos suttas. Particularmente no MN 64, que com certeza relata um evento anterior ao que Malunkyaputta recebeu o ensinamento igual ao de Bahiya.
O Buda primeiro menospreza Malunkyaputta pelo seu entendimento incorreto e aí o ensina sobre a necessidade de atingir pelo menos um dos jhanas para destruir os cinco primeiros grilhões [2] (e assim, atingir o nível daquele que não retorna).
O Buda disse na frente do Malunkyaputta que era impossível atingir o nível de anagami (quanto mais a iluminação completa), sem um jhana, assim como era impossível alcançar o cerne de uma árvore sem primeiro passar por sua casca e pelo alburno. Pense nisso.
Assim, o Venerável Malunkyaputta foi primeiro ensinado sobre a necessidade de jhana e então mais tarde ele recebeu o ensinamento igual ao de Bahiya. Depois de ouvir esse ensinamento, “permanecendo só, isolado, diligente, ardente e decidido,” Malunkyaputta logo se tornou um arahant.
É certo, no entanto, que ele atingiu jhana antes que o ensinamento de Bahiya pudesse ter seus efeitos ou o Buda teria sido flagrantemente inconsistente. Isso também adiciona peso à inferência de que Bahiya teria também experiência em jhana antes de ter ouvido o mesmo ensinamento – pois do contrário ele teria atingido o cerne da árvore sem passar pela sua casca e alburno!
Distorcendo o Entendimento
Então, o que fez Bahiya e Malunkyaputta verem nas palavras do Buda que gerou a experiência de arahant? Qual é o significado de “no ver haverá somente o visto”?
Isso quer dizer ver sem nenhuma distorção dos dados, sem adicionar ou subtrair nada. Como a moderna psicologia entende, o que chega até nós como “o visto” já foi filtrado e distorcido pelos nossos desejos e aversões. Esse processo de distorção ocorre antes do evento da cognição.
É impossível ver esse processo enquanto ele ocorre. É subconsciente. Podemos apenas inferir a sua ocorrência: descobrimos que as nossas preferências embelezaram os dados para apresentar para a nossa mente o que nós queremos ver, enquanto a hostilidade negou qualquer acesso para a mente daquelas características que nós não queremos ver.
O que nós vemos raramente é puramente o visto. Aquilo que nós vemos com a assim chamada atenção plena, não baseada no jhana, quase nunca é a verdade. Não é como as coisas são; é só como as coisas parecem ser.
Nós deveríamos ser suficientemente experientes para saber isso. Quando vocês homens vêem uma mulher bonita, o que é que vocês vêem? A maioria das pessoas, mesmo os bhikkhus, não vêem o que está ali realmente – só músculo, tendões, pele e cabelo – eles vêem, ao invés disso, uma mulher atraente. De onde vem isso? Nosso desejo sexual adicionou isso, distorcendo a realidade. Quando você vê o corpo recém-falecido da sua mãe, o que você vê? Novamente, você não vê o que está ali na verdade – só músculo, tendões, pele e cabelo. Ao invés disso, você vê uma tragédia, porque o seu apego adicionou uma profunda tristeza, distorcendo a realidade.
Quanto dos nossos próprios gostos e desgostos nós adicionamos ao visto?
Vinte e cinco séculos antes da moderna psicologia o Buda identificou o processo que distorce a cognição e chamou-a de vipallasa. Ele explicou esse processo essencialmente circular começando do nosso entendimento.
Nossas opiniões modificam as nossas percepções para concordarem com as nossas idéias. As percepções então formam a evidência para os nossos pensamentos.
Aí os nossos pensamentos argumentam em favor das nossas idéias. É um ciclo que se auto-justifica. Idéias geram percepções que criam pensamentos que apóiam as idéias. Esse é exatamente o processo da delusão.
Por exemplo, alguém acredita em Deus. Ela tem uma concepção teísta. Essa concepção nega acesso para a mente de qualquer percepção que desafie essa concepção. Fatos científicos, como aqueles dos campos da astrofísica, física quântica, geologia e bioquímica, se tornam percepções sem acesso.
Elas são rejeitadas antes mesmo de entrar na consciência porque elas são antiéticas para a concepção. Somente percepções que apóiem e se harmonizem com a concepção de Deus sobrevivem ao processo de filtração subconsciente.
Essas percepções pró-Deus então formam os dados com os quais os nossos pensamentos trabalharão. Os dados são convincentes; eles confirmam as nossas concepções. Nós nos tornamos convencidos de que existe um Deus e nossa opinião fica cada vez mais resistente à contestação.
Assim é a origem e progresso de muitas religiões, que estão completamente convencidas de que elas estão certas. Elas tomam erroneamente as coisas como elas parecem ser por como elas são.
Ou tome o debate sobre o aborto. Você é “pró-vida” ou “pró-escolha”? Qualquer uma dessas duas idéias corromperá a sua percepção através da seleção das percepções que apoiarão a sua idéia cegando a sua consciência para quaisquer outras percepções que a contestem. Seu pensamento será construído a partir das suas percepções, da mesma maneira que uma casa é construída de tijolos.
Esse pensamento mal informado justifica sua idéia tão poderosamente que você simplesmente não pode entender porque todas as demais pessoas não vêem isso de modo correto, que é o seu modo!
Um último exemplo: Pergunte-se se a meditação é fácil para você. Se você pensar que meditação é difícil, e você estiver muito apegado a essa idéia, então meditação parecerá difícil. De onde vem essa opinião? Talvez, há muito tempo atrás, alguém com autoridade falou para você que meditação era difícil e você acreditou.
Infelizmente, essa opinião permaneceu. Ou talvez, você começou a meditar sem uma instrução clara e precisa e daí você passou a achá-la difícil. Com base numa experiência limitada você formou uma opinião sólida, meditação é sempre difícil. E apesar disso, essa opinião surgiu, e uma vez lá, ela faz com que a meditação seja difícil! Seu apego a essa opinião distorce as suas percepções.
As únicas percepções que acabam se tornando conscientes são aquelas que percebem as dificuldades da meditação. Baseado nessas percepções negativas, você pensa que meditação é de fato difícil. Você, e somente você, fez a meditação se tornar difícil!
Quando nós temos algum entendimento do que está acontecendo, nós temos a possibilidade de mudar essa opinião a respeito da meditação.
Permita-me fazer uma lavagem cerebral em você! Deixe-me convencê-lo de que, apesar de quem disse o que, apesar de toda a sua falta de sucesso, MEDITAÇÃO É FÁCIL! MEDITAÇÃO É FÁCIL!
Deixe-me fazê-lo acreditar que você pode meditar bem. Nesta vida você renasceu com um corpo humano precioso e está agora lendo os ensinamentos do Budismo, que não têm preço.
Você está vivendo numa época em que o Dhamma está prosperando e você foi capaz de encontrar esse Dhamma maravilhoso. Você é um ser muito raro. Você trabalhou durante muitas vidas para ter uma oportunidade como essa. Com tantas coisas passadas a seu favor, é claro que você será capaz de meditar bem. O fato de você estar lendo isto prova que você tem um enorme estoque de kamma bom apoiando-o.
Outras pessoas, muito menos capazes do que você atingiram jhana, então por que não você! Uma vez que você tenha criado uma opinião positiva da sua habilidade para a meditação – rapidamente – você perceberá só sucesso na meditação.
Você acabou de tornar a meditação uma coisa fácil! Você abriu a porta para a tranqüilidade, felicidade interior e para os jhanas. Tente!
Descobrindo a Verdade
O ponto é que a idéia de que meditação é difícil para você ou que a meditação é fácil são ambas erradas. Elas são o produto de uma distorção daquilo que é visto, ouvido, sentido e conscientizado.
Ambas são delusão. Só que a idéia positiva é a delusão mais proveitosa. Na realidade, é a idéia que o levará a descobrir a verdade.
O Buda explicou que são os cinco obstáculos que distorcem a percepção e corrompem o nosso pensamento. Ele chamou de cinco obstáculos o alimento que sustenta a ignorância (AN X.61).
1-O primeiro obstáculo, desejo sensual, seleciona o que nós queremos ver, ouvir, sentir e conscientizar. Ele sempre embeleza a verdade. Ele apresenta para a nossa consciência o produto do nosso desejo.
2-O segundo obstáculo, má vontade, é o impulso negativo que nos impede de ver, ouvir, sentir ou conscientizar o que nós não queremos saber. Ele nos cega para o que é desagradável e para o que é contrário à nossa opinião. A psicologia conhece o segundo obstáculo como o processo de negação da realidade.
3-O terceiro obstáculo é a preguiça e o torpor. Esse não distorce o que vemos, ouvimos, sentimos ou conscientizamos; ao invés, ele enterra tudo num nevoeiro de modo que somos incapazes de discernir claramente.
4-O quarto obstáculo, inquietação e ansiedade, mantém os nossos sentidos se movendo rapidamente, tão rápido que não temos tempo suficiente para ver, ouvir, sentir ou conscientizar completamente. A visão não tem tempo de se formar completamente na nossa retina, pois ela já tem uma outra imagem no seu background com a qual lidar.
Os sons são escutados com dificuldade quando nos pedem para escutarmos algo. O quarto obstáculo, inquietação e o seu caso especial, ansiedade, (inquietação interior devido a uma má conduta), é como o chefe ultra-exigente no seu escritório, que nunca lhe dá tempo suficiente para terminar um projeto adequadamente.
5-O quinto obstáculo, dúvida, é aquele que interrompe a coleta de dados com perguntas prematuras. Antes que tenhamos experienciado completamente o visto, o ouvido, o sentido ou o conscientizado, a dúvida interfere no processo, como um estudante arrogante interrompe o professor com uma pergunta no meio de uma palestra. São esses 5 obstáculos que distorcem a percepção, corrompem o pensamento e mantêm a opinião deludida.
É bem conhecido entre os estudantes sérios do Budismo que a única maneira de suprimir os cinco obstáculos é através da prática de jhana. Como o Nalakapana Sutta (MN68) diz, para aqueles que não atingem jhana, os cinco obstáculos (mais descontentamento e cansaço) invadem a mente e permanecem. Qualquer coisa que não for jhana não será poderosa e duradoura o suficiente para suprimir os cinco obstáculos adequadamente.
Portanto, mesmo que você esteja praticando atenção plena momentânea, se os cinco obstáculos ainda estiverem ativos num nível subconsciente, você não verá as coisas como elas são na verdade; você estará vendo apenas as coisas como elas parecem ser, distorcidas por esses cinco obstáculos.
Assim, para agir de acordo com os ensinamentos do Buda para Bahiya e para o venerável Malunkyaputta, para que “no visto haja só o que é visto, no ouvido haja só o que é ouvido, no sentido haja só o que é sentido e no conscientizado haja só o que é conscientizado”, os cinco obstáculos têm que ser suprimidos e isso significa jhana!
Vendo as Coisas como Elas São Na Realidade
É verdade que os cinco obstáculos são suprimidos no momento que precede o jhana, os comentários chamam-no de upacara samadhi, “imobilidade da mente que está para entrar em jhana”.
Então, como é que você pode saber com certeza que esses insidiosos cinco obstáculos, que geralmente operam no nível subconsciente, estão totalmente suprimidos? Como é que você sabe que está em upacara samadhi? O teste decisivo é que você pode passar sem esforço nenhum da entrada para o primeiro jhana.
Em upacara samadhi, não existe nenhum impedimento ou obstáculo entre você e o jhana. Se você não puder entrar em jhana, os cinco obstáculos ainda estão presentes. Portanto, para ter certeza que eles se foram, você tenta entrar em jhana e entra.
Quando a mente emergir do jhana, ela fica em upacara samadhi por um longo período, como quando você sai de casa, você fica na porta outra vez.
É nesse ponto, durante o período imediatamente depois da experiência do jhana, quando os cinco obstáculos ainda não invadiram a mente, que a pessoa é capaz de finalmente praticar “no visto há apenas o visto, no ouvido há apenas o ouvido, no sentido há apenas o sentido e no conscientizado há apenas o conscientizado”.
Como o Buda disse repetidamente, (por exemplo, no AN VI.50), só como resultado do jhana, (samma samadhi), é que uma pessoa conhece e vê as coisas como elas na verdade são (yatha-bhuta-ñanadassanam) e não como elas parecem ser.
O Fim da Idéia da Existência de um Eu
Uma experiência de jhana pode desmontar uma pessoa. O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que a informação proporcionada pela experiência de jhana, contemplada imediatamente depois, em upacara samadhi, quando os obstáculos não podem distorcer nada, destrói a delusão do eu, alma e meu.
No primeiro jhana na maioria das vezes, e nos jhanas mais elevados completamente, a capacidade de fazer, de exercer a vontade e de fazer escolhas – o que eu chamo de “o fazedor” – desapareceu.
Falando de uma maneira bem simples, a informação é tão clara e os cinco obstáculos não são mais capazes de fazer com que você não veja que não existe uma pessoa controlando o seu corpo e mente. Vontade não é o eu ou um produto do eu. Vontade é só um processo natural impessoal que pode chegar à cessação total.
Você viu isso por você mesmo, e pode confiar nisso porque isso tudo ocorreu quando os cinco obstáculos, que distorcem, estavam suprimidos. Esse insight é o mais correto que você já teve: livre-arbítrio é uma delusão. Você, o leitor, será incapaz de concordar comigo. Isso porque os seus cinco obstáculos ainda estão ativos e eles farão com que você não enxergue isso.
Portanto, experiencie um jhana primeiro, aí investigue esse assunto logo em seguida. Aí, tente discutir comigo! Além disso, em jhana - o verdadeiro, não os falsos - a visão, a audição e os sentidos desaparecem. Os cinco sentidos externos cessam.
Essa informação também é clara. Quando a pessoa reflete na completa ausência dos cinco sentidos durante a experiência de jhana, no estado livre dos obstáculos do pós-jhana upacara samadhi, ela verá com certeza que não existe o eu, ou alma, ou o meu eu observando a visão, ouvindo os sons ou sentindo cheiros, sabores e toques. Não existe nenhum eu, alma ou meu eu compreendendo o que foi compreendido. Todas as formas de consciência são também como um processo impessoal que pode chegar a uma completa cessação.
Em resumo, você não é o mesmo que a sua mente. A mente é apenas um processo natural. Ela pode parar completamente. Ela realmente pára, de uma vez para sempre em parinibbana!
Uma vez mais, você, meu leitor, será incapaz de concordar comigo. Os cinco obstáculos, que agora estão ativos dentro de você, sob a superfície da conscientização, impedem-no de ver a verdade.
Uma experiência de jhana desafia o seu entendimento mais básico, o entendimento de que “Você é!” Não se preocupe com esses desentendimentos por enquanto. Ao invés disso, medite até que você tenha experienciado jhana e tenha suprimido os cinco obstáculos. Então, veja se tenho razão ou não!
A Parte Final do Ensinamento para Bahiya
"Bahiya, você deve treinar assim: Com relação ao que é visto, haverá apenas o visto.... Com relação ao que é conscientizado, haverá apenas o conscientizado.
Practicando dessa maneira, Bahiya, você não será “por causa disso”. Quando você não é “por causa disso”, você não está “nisso”. E quando você não está “nisso”, então, você não estará nem aqui nem lá, nem no meio. Isso é o fim do sofrimento."
O que significa, “você não será ‘por causa disso’? Em Pali é na tena. Tena é a palavra chave para “isso”. Na é a forma negativa. Significa, literalmente, “não por causa disso, não através disso, não por isso.” Significa, em essência, que você não assumirá que existe um eu, uma alma, ou um meu eu, só por que existe o ver, ouvir, cheirar, degustar, tocar, (sentir), ou conscientizar.
O Buda estava dizendo que uma vez que você tenha penetrado a verdade da experiência sensorial, através da supressão dos obstáculos no jhana, você verá que não existe o “fazedor” ou “sabedor” por trás da experiência sensorial. Você não será mais capaz de usar a experiência sensorial como evidência para um eu.
A famosa frase de Descartes “Eu sou por que eu penso” é refutada. Você não será por causa do pensamento ou por causa do ver, do ouvir ou do sentir. Nas palavras do Buda, “Você não será por causa disso (qualquer experiência dos sentidos).”
Quando os processos sensoriais são descartados como evidência defensável para a existência de um eu, uma alma ou meu eu, então você não estará localizado na experiência sensorial. Nas palavras do Buda, “Você não estará ‘nisso.’’ Você não verá mais, considerará, perceberá ou mesmo pensará que existe um “eu” envolvido na vida. Usando as palavras do médico, na versão original do seriado Star Trek, “É vida, Jim, mas não como nós a conhecemos!” Não existirá mais qualquer percepção de um eu ou alma no centro da experiência. Você não estará mais “nisso”.
Para fechar a abertura que poderia deixar você pensando que pode escapar da inexistência de um eu ou alma através da identificação com um estado transcendental de ser além do que é visto, ouvido, sentido ou conscientizado, o Buda bramiu, “e você não estará nem aqui (com o visto, ouvido, sentido ou conscientizado), nem além (fora do visto, ouvido, sentido ou conscientizado), nem entre os dois” (em nenhum mundo, nem além do mundo). A última frase confundiu os sofistas!
Em resumo, o Buda aconselhou ambos, Bahiya e o venerável Malunkyaputta a experienciar o jhana para suprimir os cinco obstáculos.
Só deste modo a pessoa pode discernir com certeza a ausência de um eu ou de uma alma por trás do processo sensorial. Consequentemente, a experiência sensorial não será mais tomada como evidência da existência do “fazedor” ou “sabedor”, de tal modo que você nunca mais voltará a imaginar um eu ou uma alma no centro da experiência, ou além dela, ou em algum outro lugar. O ensinamento para Bahiya formula de modo resumido o caminho para a realização do não-eu, anatta. Só isso, concluiu o Buda “é o fim do sofrimento.”
Conclusão
Espero que o meu argumento tenha sido forte o suficiente para desafiá-lo ou, mais do que isso, confundir as vipallasas que dirigem seus processos cognitivos. O ensinamento breve do Buda para Bahiya e para o venerável Malunkyaputta não é um atalho para os superinteligentes. A prática do “no visto haverá apenas o que é visto...” requer a supressão dos cinco obstáculos. A supressão dos cinco obstáculos requer jhana. Jhana requer o resto do nobre caminho óctuplo, os primeiros sete fatores. Ele requer fé na jóia triplice, a observação dos preceitos de virtude e a prática de dana. Existe apenas um caminho para nibbana, que é o nobre caminho óctuplo. Não existem atalhos.
Maggan' atthangiko settho ...
Eso'va maggo, natthi anno
Dassanassa visuddhiya
O melhor dos caminhos é o caminho óctuplo...
esse é o único caminho, não existe nenhum outro
para a purificação da visão.[4]
Ajaan Brahmavamso
Meditação é o caminho para a renúncia. Primeiro você renuncia a todas as percepções de tempo para entrar no momento presente que é atemporal. Aí você abandona o diálogo interno para ficar tranquilamente no estado de atenção silenciosa.
Em seguida, você abandona a maior parte da atividade dos seus cinco sentidos só mantendo a atenção na sua respiração. Depois você abandona a sua respiração e fica observando o seu desaparecimento.
Nesse estágio, você não pode mais ver, ouvir, sentir, degustar ou sentir o tato. Parece que o seu corpo desapareceu e no seu lugar você está ciente de uma linda luz, o nimitta. O nimitta é um reflexo da citta, (mente), vista através do sexto meio dos sentidos.
Daí você abandona todo o controle para ser absorvido pela luz e entrar no êxtase do mundo do jhana. Assim, os jhanas acontecem automaticamente quando você realmente renuncia; eles são descritos como estados profundos de renúncia, abandono.
O Buda, repetidas vezes e de modo muito claro, afirmou que a plena iluminação não pode ser alcançada sem a experiência dos jhanas. No entanto, na atualidade, alguns mestres afirmam que o grau de desapego proporcionado pelos jhanas é desnecessário.
Usualmente, uma pessoa necessita de samadhi produndo – jhanas - para atingir poderes supra-humanos como esses. Levando-se em conta a sua vida passada, seguramente Bahiya deve ter tido uma predisposição para a meditação.
Além disso, ambos os poderes supra-humanos, do “ouvido divino”, que o capacitou a ouvir o deva, e o outro que fez com que ele viajasse tão rápido, sugerem ter ele sido praticante de jhana antes de ouvir o deva. Talvez essa fosse uma outra razão porque ele se considerava um arahant. Mas há outras evidências que sugerem que Bahiya praticava os jhanas, embora isso não esteja mencionado nos textos.
Poucas pessoas sabem que o mesmo ensinamento deste sutta também foi dado pelo Buda para o bhikkhu ancião Malunkyaputta, (SN XXXV.95). Malunkyaputta aparece várias vezes nos suttas. Particularmente no MN 64, que com certeza relata um evento anterior ao que Malunkyaputta recebeu o ensinamento igual ao de Bahiya.
O Buda primeiro menospreza Malunkyaputta pelo seu entendimento incorreto e aí o ensina sobre a necessidade de atingir pelo menos um dos jhanas para destruir os cinco primeiros grilhões [2] (e assim, atingir o nível daquele que não retorna).
O Buda disse na frente do Malunkyaputta que era impossível atingir o nível de anagami (quanto mais a iluminação completa), sem um jhana, assim como era impossível alcançar o cerne de uma árvore sem primeiro passar por sua casca e pelo alburno. Pense nisso.
Assim, o Venerável Malunkyaputta foi primeiro ensinado sobre a necessidade de jhana e então mais tarde ele recebeu o ensinamento igual ao de Bahiya. Depois de ouvir esse ensinamento, “permanecendo só, isolado, diligente, ardente e decidido,” Malunkyaputta logo se tornou um arahant.
É certo, no entanto, que ele atingiu jhana antes que o ensinamento de Bahiya pudesse ter seus efeitos ou o Buda teria sido flagrantemente inconsistente. Isso também adiciona peso à inferência de que Bahiya teria também experiência em jhana antes de ter ouvido o mesmo ensinamento – pois do contrário ele teria atingido o cerne da árvore sem passar pela sua casca e alburno!
Distorcendo o Entendimento
Então, o que fez Bahiya e Malunkyaputta verem nas palavras do Buda que gerou a experiência de arahant? Qual é o significado de “no ver haverá somente o visto”?
Isso quer dizer ver sem nenhuma distorção dos dados, sem adicionar ou subtrair nada. Como a moderna psicologia entende, o que chega até nós como “o visto” já foi filtrado e distorcido pelos nossos desejos e aversões. Esse processo de distorção ocorre antes do evento da cognição.
É impossível ver esse processo enquanto ele ocorre. É subconsciente. Podemos apenas inferir a sua ocorrência: descobrimos que as nossas preferências embelezaram os dados para apresentar para a nossa mente o que nós queremos ver, enquanto a hostilidade negou qualquer acesso para a mente daquelas características que nós não queremos ver.
O que nós vemos raramente é puramente o visto. Aquilo que nós vemos com a assim chamada atenção plena, não baseada no jhana, quase nunca é a verdade. Não é como as coisas são; é só como as coisas parecem ser.
Nós deveríamos ser suficientemente experientes para saber isso. Quando vocês homens vêem uma mulher bonita, o que é que vocês vêem? A maioria das pessoas, mesmo os bhikkhus, não vêem o que está ali realmente – só músculo, tendões, pele e cabelo – eles vêem, ao invés disso, uma mulher atraente. De onde vem isso? Nosso desejo sexual adicionou isso, distorcendo a realidade. Quando você vê o corpo recém-falecido da sua mãe, o que você vê? Novamente, você não vê o que está ali na verdade – só músculo, tendões, pele e cabelo. Ao invés disso, você vê uma tragédia, porque o seu apego adicionou uma profunda tristeza, distorcendo a realidade.
Quanto dos nossos próprios gostos e desgostos nós adicionamos ao visto?
Vinte e cinco séculos antes da moderna psicologia o Buda identificou o processo que distorce a cognição e chamou-a de vipallasa. Ele explicou esse processo essencialmente circular começando do nosso entendimento.
Nossas opiniões modificam as nossas percepções para concordarem com as nossas idéias. As percepções então formam a evidência para os nossos pensamentos.
Aí os nossos pensamentos argumentam em favor das nossas idéias. É um ciclo que se auto-justifica. Idéias geram percepções que criam pensamentos que apóiam as idéias. Esse é exatamente o processo da delusão.
Por exemplo, alguém acredita em Deus. Ela tem uma concepção teísta. Essa concepção nega acesso para a mente de qualquer percepção que desafie essa concepção. Fatos científicos, como aqueles dos campos da astrofísica, física quântica, geologia e bioquímica, se tornam percepções sem acesso.
Elas são rejeitadas antes mesmo de entrar na consciência porque elas são antiéticas para a concepção. Somente percepções que apóiem e se harmonizem com a concepção de Deus sobrevivem ao processo de filtração subconsciente.
Essas percepções pró-Deus então formam os dados com os quais os nossos pensamentos trabalharão. Os dados são convincentes; eles confirmam as nossas concepções. Nós nos tornamos convencidos de que existe um Deus e nossa opinião fica cada vez mais resistente à contestação.
Assim é a origem e progresso de muitas religiões, que estão completamente convencidas de que elas estão certas. Elas tomam erroneamente as coisas como elas parecem ser por como elas são.
Ou tome o debate sobre o aborto. Você é “pró-vida” ou “pró-escolha”? Qualquer uma dessas duas idéias corromperá a sua percepção através da seleção das percepções que apoiarão a sua idéia cegando a sua consciência para quaisquer outras percepções que a contestem. Seu pensamento será construído a partir das suas percepções, da mesma maneira que uma casa é construída de tijolos.
Esse pensamento mal informado justifica sua idéia tão poderosamente que você simplesmente não pode entender porque todas as demais pessoas não vêem isso de modo correto, que é o seu modo!
Um último exemplo: Pergunte-se se a meditação é fácil para você. Se você pensar que meditação é difícil, e você estiver muito apegado a essa idéia, então meditação parecerá difícil. De onde vem essa opinião? Talvez, há muito tempo atrás, alguém com autoridade falou para você que meditação era difícil e você acreditou.
Infelizmente, essa opinião permaneceu. Ou talvez, você começou a meditar sem uma instrução clara e precisa e daí você passou a achá-la difícil. Com base numa experiência limitada você formou uma opinião sólida, meditação é sempre difícil. E apesar disso, essa opinião surgiu, e uma vez lá, ela faz com que a meditação seja difícil! Seu apego a essa opinião distorce as suas percepções.
As únicas percepções que acabam se tornando conscientes são aquelas que percebem as dificuldades da meditação. Baseado nessas percepções negativas, você pensa que meditação é de fato difícil. Você, e somente você, fez a meditação se tornar difícil!
Quando nós temos algum entendimento do que está acontecendo, nós temos a possibilidade de mudar essa opinião a respeito da meditação.
Permita-me fazer uma lavagem cerebral em você! Deixe-me convencê-lo de que, apesar de quem disse o que, apesar de toda a sua falta de sucesso, MEDITAÇÃO É FÁCIL! MEDITAÇÃO É FÁCIL!
Deixe-me fazê-lo acreditar que você pode meditar bem. Nesta vida você renasceu com um corpo humano precioso e está agora lendo os ensinamentos do Budismo, que não têm preço.
Você está vivendo numa época em que o Dhamma está prosperando e você foi capaz de encontrar esse Dhamma maravilhoso. Você é um ser muito raro. Você trabalhou durante muitas vidas para ter uma oportunidade como essa. Com tantas coisas passadas a seu favor, é claro que você será capaz de meditar bem. O fato de você estar lendo isto prova que você tem um enorme estoque de kamma bom apoiando-o.
Outras pessoas, muito menos capazes do que você atingiram jhana, então por que não você! Uma vez que você tenha criado uma opinião positiva da sua habilidade para a meditação – rapidamente – você perceberá só sucesso na meditação.
Você acabou de tornar a meditação uma coisa fácil! Você abriu a porta para a tranqüilidade, felicidade interior e para os jhanas. Tente!
Descobrindo a Verdade
O ponto é que a idéia de que meditação é difícil para você ou que a meditação é fácil são ambas erradas. Elas são o produto de uma distorção daquilo que é visto, ouvido, sentido e conscientizado.
Ambas são delusão. Só que a idéia positiva é a delusão mais proveitosa. Na realidade, é a idéia que o levará a descobrir a verdade.
O Buda explicou que são os cinco obstáculos que distorcem a percepção e corrompem o nosso pensamento. Ele chamou de cinco obstáculos o alimento que sustenta a ignorância (AN X.61).
1-O primeiro obstáculo, desejo sensual, seleciona o que nós queremos ver, ouvir, sentir e conscientizar. Ele sempre embeleza a verdade. Ele apresenta para a nossa consciência o produto do nosso desejo.
2-O segundo obstáculo, má vontade, é o impulso negativo que nos impede de ver, ouvir, sentir ou conscientizar o que nós não queremos saber. Ele nos cega para o que é desagradável e para o que é contrário à nossa opinião. A psicologia conhece o segundo obstáculo como o processo de negação da realidade.
3-O terceiro obstáculo é a preguiça e o torpor. Esse não distorce o que vemos, ouvimos, sentimos ou conscientizamos; ao invés, ele enterra tudo num nevoeiro de modo que somos incapazes de discernir claramente.
4-O quarto obstáculo, inquietação e ansiedade, mantém os nossos sentidos se movendo rapidamente, tão rápido que não temos tempo suficiente para ver, ouvir, sentir ou conscientizar completamente. A visão não tem tempo de se formar completamente na nossa retina, pois ela já tem uma outra imagem no seu background com a qual lidar.
Os sons são escutados com dificuldade quando nos pedem para escutarmos algo. O quarto obstáculo, inquietação e o seu caso especial, ansiedade, (inquietação interior devido a uma má conduta), é como o chefe ultra-exigente no seu escritório, que nunca lhe dá tempo suficiente para terminar um projeto adequadamente.
5-O quinto obstáculo, dúvida, é aquele que interrompe a coleta de dados com perguntas prematuras. Antes que tenhamos experienciado completamente o visto, o ouvido, o sentido ou o conscientizado, a dúvida interfere no processo, como um estudante arrogante interrompe o professor com uma pergunta no meio de uma palestra. São esses 5 obstáculos que distorcem a percepção, corrompem o pensamento e mantêm a opinião deludida.
É bem conhecido entre os estudantes sérios do Budismo que a única maneira de suprimir os cinco obstáculos é através da prática de jhana. Como o Nalakapana Sutta (MN68) diz, para aqueles que não atingem jhana, os cinco obstáculos (mais descontentamento e cansaço) invadem a mente e permanecem. Qualquer coisa que não for jhana não será poderosa e duradoura o suficiente para suprimir os cinco obstáculos adequadamente.
Portanto, mesmo que você esteja praticando atenção plena momentânea, se os cinco obstáculos ainda estiverem ativos num nível subconsciente, você não verá as coisas como elas são na verdade; você estará vendo apenas as coisas como elas parecem ser, distorcidas por esses cinco obstáculos.
Assim, para agir de acordo com os ensinamentos do Buda para Bahiya e para o venerável Malunkyaputta, para que “no visto haja só o que é visto, no ouvido haja só o que é ouvido, no sentido haja só o que é sentido e no conscientizado haja só o que é conscientizado”, os cinco obstáculos têm que ser suprimidos e isso significa jhana!
Vendo as Coisas como Elas São Na Realidade
É verdade que os cinco obstáculos são suprimidos no momento que precede o jhana, os comentários chamam-no de upacara samadhi, “imobilidade da mente que está para entrar em jhana”.
Então, como é que você pode saber com certeza que esses insidiosos cinco obstáculos, que geralmente operam no nível subconsciente, estão totalmente suprimidos? Como é que você sabe que está em upacara samadhi? O teste decisivo é que você pode passar sem esforço nenhum da entrada para o primeiro jhana.
Em upacara samadhi, não existe nenhum impedimento ou obstáculo entre você e o jhana. Se você não puder entrar em jhana, os cinco obstáculos ainda estão presentes. Portanto, para ter certeza que eles se foram, você tenta entrar em jhana e entra.
Quando a mente emergir do jhana, ela fica em upacara samadhi por um longo período, como quando você sai de casa, você fica na porta outra vez.
É nesse ponto, durante o período imediatamente depois da experiência do jhana, quando os cinco obstáculos ainda não invadiram a mente, que a pessoa é capaz de finalmente praticar “no visto há apenas o visto, no ouvido há apenas o ouvido, no sentido há apenas o sentido e no conscientizado há apenas o conscientizado”.
Como o Buda disse repetidamente, (por exemplo, no AN VI.50), só como resultado do jhana, (samma samadhi), é que uma pessoa conhece e vê as coisas como elas na verdade são (yatha-bhuta-ñanadassanam) e não como elas parecem ser.
O Fim da Idéia da Existência de um Eu
Uma experiência de jhana pode desmontar uma pessoa. O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que a informação proporcionada pela experiência de jhana, contemplada imediatamente depois, em upacara samadhi, quando os obstáculos não podem distorcer nada, destrói a delusão do eu, alma e meu.
No primeiro jhana na maioria das vezes, e nos jhanas mais elevados completamente, a capacidade de fazer, de exercer a vontade e de fazer escolhas – o que eu chamo de “o fazedor” – desapareceu.
Falando de uma maneira bem simples, a informação é tão clara e os cinco obstáculos não são mais capazes de fazer com que você não veja que não existe uma pessoa controlando o seu corpo e mente. Vontade não é o eu ou um produto do eu. Vontade é só um processo natural impessoal que pode chegar à cessação total.
Você viu isso por você mesmo, e pode confiar nisso porque isso tudo ocorreu quando os cinco obstáculos, que distorcem, estavam suprimidos. Esse insight é o mais correto que você já teve: livre-arbítrio é uma delusão. Você, o leitor, será incapaz de concordar comigo. Isso porque os seus cinco obstáculos ainda estão ativos e eles farão com que você não enxergue isso.
Portanto, experiencie um jhana primeiro, aí investigue esse assunto logo em seguida. Aí, tente discutir comigo! Além disso, em jhana - o verdadeiro, não os falsos - a visão, a audição e os sentidos desaparecem. Os cinco sentidos externos cessam.
Essa informação também é clara. Quando a pessoa reflete na completa ausência dos cinco sentidos durante a experiência de jhana, no estado livre dos obstáculos do pós-jhana upacara samadhi, ela verá com certeza que não existe o eu, ou alma, ou o meu eu observando a visão, ouvindo os sons ou sentindo cheiros, sabores e toques. Não existe nenhum eu, alma ou meu eu compreendendo o que foi compreendido. Todas as formas de consciência são também como um processo impessoal que pode chegar a uma completa cessação.
Em resumo, você não é o mesmo que a sua mente. A mente é apenas um processo natural. Ela pode parar completamente. Ela realmente pára, de uma vez para sempre em parinibbana!
Uma vez mais, você, meu leitor, será incapaz de concordar comigo. Os cinco obstáculos, que agora estão ativos dentro de você, sob a superfície da conscientização, impedem-no de ver a verdade.
Uma experiência de jhana desafia o seu entendimento mais básico, o entendimento de que “Você é!” Não se preocupe com esses desentendimentos por enquanto. Ao invés disso, medite até que você tenha experienciado jhana e tenha suprimido os cinco obstáculos. Então, veja se tenho razão ou não!
A Parte Final do Ensinamento para Bahiya
"Bahiya, você deve treinar assim: Com relação ao que é visto, haverá apenas o visto.... Com relação ao que é conscientizado, haverá apenas o conscientizado.
Practicando dessa maneira, Bahiya, você não será “por causa disso”. Quando você não é “por causa disso”, você não está “nisso”. E quando você não está “nisso”, então, você não estará nem aqui nem lá, nem no meio. Isso é o fim do sofrimento."
O que significa, “você não será ‘por causa disso’? Em Pali é na tena. Tena é a palavra chave para “isso”. Na é a forma negativa. Significa, literalmente, “não por causa disso, não através disso, não por isso.” Significa, em essência, que você não assumirá que existe um eu, uma alma, ou um meu eu, só por que existe o ver, ouvir, cheirar, degustar, tocar, (sentir), ou conscientizar.
O Buda estava dizendo que uma vez que você tenha penetrado a verdade da experiência sensorial, através da supressão dos obstáculos no jhana, você verá que não existe o “fazedor” ou “sabedor” por trás da experiência sensorial. Você não será mais capaz de usar a experiência sensorial como evidência para um eu.
A famosa frase de Descartes “Eu sou por que eu penso” é refutada. Você não será por causa do pensamento ou por causa do ver, do ouvir ou do sentir. Nas palavras do Buda, “Você não será por causa disso (qualquer experiência dos sentidos).”
Quando os processos sensoriais são descartados como evidência defensável para a existência de um eu, uma alma ou meu eu, então você não estará localizado na experiência sensorial. Nas palavras do Buda, “Você não estará ‘nisso.’’ Você não verá mais, considerará, perceberá ou mesmo pensará que existe um “eu” envolvido na vida. Usando as palavras do médico, na versão original do seriado Star Trek, “É vida, Jim, mas não como nós a conhecemos!” Não existirá mais qualquer percepção de um eu ou alma no centro da experiência. Você não estará mais “nisso”.
Para fechar a abertura que poderia deixar você pensando que pode escapar da inexistência de um eu ou alma através da identificação com um estado transcendental de ser além do que é visto, ouvido, sentido ou conscientizado, o Buda bramiu, “e você não estará nem aqui (com o visto, ouvido, sentido ou conscientizado), nem além (fora do visto, ouvido, sentido ou conscientizado), nem entre os dois” (em nenhum mundo, nem além do mundo). A última frase confundiu os sofistas!
Em resumo, o Buda aconselhou ambos, Bahiya e o venerável Malunkyaputta a experienciar o jhana para suprimir os cinco obstáculos.
Só deste modo a pessoa pode discernir com certeza a ausência de um eu ou de uma alma por trás do processo sensorial. Consequentemente, a experiência sensorial não será mais tomada como evidência da existência do “fazedor” ou “sabedor”, de tal modo que você nunca mais voltará a imaginar um eu ou uma alma no centro da experiência, ou além dela, ou em algum outro lugar. O ensinamento para Bahiya formula de modo resumido o caminho para a realização do não-eu, anatta. Só isso, concluiu o Buda “é o fim do sofrimento.”
Conclusão
Espero que o meu argumento tenha sido forte o suficiente para desafiá-lo ou, mais do que isso, confundir as vipallasas que dirigem seus processos cognitivos. O ensinamento breve do Buda para Bahiya e para o venerável Malunkyaputta não é um atalho para os superinteligentes. A prática do “no visto haverá apenas o que é visto...” requer a supressão dos cinco obstáculos. A supressão dos cinco obstáculos requer jhana. Jhana requer o resto do nobre caminho óctuplo, os primeiros sete fatores. Ele requer fé na jóia triplice, a observação dos preceitos de virtude e a prática de dana. Existe apenas um caminho para nibbana, que é o nobre caminho óctuplo. Não existem atalhos.
Maggan' atthangiko settho ...
Eso'va maggo, natthi anno
Dassanassa visuddhiya
O melhor dos caminhos é o caminho óctuplo...
esse é o único caminho, não existe nenhum outro
para a purificação da visão.[4]
As Agendas da Atenção Plena
Ajaan Thanissaro
reservados.
O termo em Pali para meditação é bhavana: desenvolvimento. Esse é um termo taquigráfico para o desenvolvimento de qualidades hábeis na mente. Bhavana é um tipo de karma – a atividade intencional que no final das contas conduz ao fim de karma – mas ainda assim é karma.
Este ponto é enfatizado por um outro termo em Pali para a meditação: kammatthana, a tarefa em mãos; e por uma expressão em Tailandês para meditação: “fazer um esforço.”
Vale a pena manter esses termos presentes na mente, para contrabalançar a concepção usual de que a meditação é um exercício de inação ou de aceitação passiva, universal.
Na verdade, da forma como é descrita nos textos em Pali, a meditação é um processo que envolve bastante iniciativa. Esta possui uma agenda e se trabalha ativamente para realizá-la. Isso pode ser visto na descrição em Pali sobre como a atenção plena correta é cultivada através de satipatthana.
Satipatthana com freqüência é traduzido como “fundamento da atenção plena,” o que dá a impressão de que se refere a um objeto de meditação. Essa impressão é reforçada quando você vê os quatro satipatthanas listados como corpo, sensações, mente e objetos mentais.
Mas se você olhar os textos, verá que eles ensinam satipathana como um processo, um modo de estabelecer, (upatthana), atenção plena, (sati): daí o termo composto. Quando os textos definem esse composto, eles mencionam não uma lista de objetos, mas quatro fórmulas que descrevem uma atividade.
Abaixo está a primeira fórmula:
Um meditador permanece contemplando o corpo como um corpo, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo.
Cada um dos termos nesta fórmula é importante. “Permanece contemplando” também pode ser traduzido como “mantendo o foco.” Isto se refere ao elemento de concentração dentro da prática, quando você se atém a um tema em particular dentre os fluxos conflitantes da experiência.
“Ardente” se refere ao esforço que você dedica à prática, tentando abandonar os estados mentais inábeis e desenvolver estados hábeis no lugar destes, ao mesmo tempo que tenta discernir a diferença entre os dois.
“Plenamente consciente” ou alerta, significa estar plenamente inteirado daquilo que está acontecendo no presente. “Com atenção plena” significa ser capaz de se lembrar ou recordar.
Algumas vezes a atenção plena é traduzida como uma atenção não reativa, isenta de agendas, simplesmente presente com qualquer coisa que surja, mas a fórmula para satipatthana não endossa essa tradução.
A atenção não reativa faz parte na verdade da equanimidade, uma das muitas qualidades fomentadas no processo de satipatthana, mas a ardência envolvida em satipatthana definitivamente possui uma agenda, uma tarefa a ser feita, enquanto o papel da atenção plena é manter essa tarefa presente na mente.
A tarefa neste caso é dupla: permanecer focado no fundamento e colocar de lado qualquer cobiça ou desprazer que resultariam da transferência do fundamento de volta para o mundo. Esse é o significado de “o corpo como um corpo.”
Em outras palavras, você tenta permanecer com a experiência do corpo tal como este é sentido de imediato, sem referí-lo às narrativas e idéias que compõem a sua noção do mundo.
Você permanece afastado das histórias sobre como você se relacionou com o seu corpo no passado e como espera se relacionar no futuro. Você abandona toda e qualquer preocupação em relação a como o seu corpo se encaixa no mundo em termos da sua beleza, agilidade ou força.
Você simplesmente sintoniza o corpo de acordo com as condições deste – a experiência direta da respiração, dos movimentos, das posturas, das suas propriedades elementares e da sua inevitável decadência.
Dessa forma, você aprende a desnudar as suas suposições sobre o que está ou não está por detrás da sua experiência do corpo e obtém proficiência em relacionar tudo com a própria experiência.
A mesma abordagem se aplica aos demais tipos de satipatthana: focando nas sensações, na mente e nos objetos mentais em si mesmos. À primeira vista, estes podem parecer exercícios de meditação novos e diferentes, mas o Buda deixa claro que todos podem estar centrados numa única prática: estar atento à respiração.
Quando a mente está com a respiração, todos os quatro fundamentos estarão exatamente ali. A diferença está só na sutileza do seu foco. Assim quando você desenvolveu a habilidade com o tipo de satipatthana mais evidente, você não terá que se mover muito para se ocupar com os tipos mais sutis.
Permaneça simplesmente com a respiração e mova o seu foco para as sensações e estados mentais que surgem ao estar atento à respiração e para os objetos mentais que ou atrapalham, ou fortalecem o seu foco.
Uma vez que você tenha escolhido o seu fundamento, você o trata da mesma forma como tem tratado o corpo: tomando-o como um fundamento em si mesmo, sem referí-lo às histórias sobre você mesmo ou as suas idéias acerca do mundo.
Você separa as sensações – de prazer, dor, ou nem prazer, nem dor – das histórias com as quais você normalmente as circunda. Você separa os estados de cobiça, raiva e delusão dos seus pontos focais no mundo. Assim, você poderá vê-los como eles realmente são.
No entanto, você ainda tem uma agenda baseada na aspiração pela Iluminação - um desejo que o Buda classificou não como uma causa para o sofrimento, mas como parte do caminho que conduz ao fim deste. Isto se torna mais evidente no satipatthana focado nos objetos mentais em si mesmos.
Você se familiariza com as qualidades inábeis que obstruem a concentração - tal como o desejo sensual, a má vontade e a inquietação - não só pela experiência, mas também para compreendê-los e poder eliminá-los. De modo semelhante, você se familiariza com as qualidades hábeis que estimulam a sabedoria para poder desenvolvê-las em sua plenitude até alcançar a libertação.
Os textos chamam essas qualidades hábeis de os sete fatores da Iluminação e mostram que a prática de satipatthana tem como objetivo desenvolvê-los numa seqüência.
O primeiro fator é a atenção plena.
O segundo é chamado “investigação dos fenômenos”: a habilidade para distinguir as qualidades mentais hábeis das inábeis, ver aquilo que pode ser aceito e aquilo que precisa ser mudado.
O terceiro fator é a energia – a energia para abandonar as qualidades inábeis e em seu lugar estimular as qualidades hábeis. Os textos descrevem uma variedade de métodos para serem usados nesse intento, mas todos eles se resumem em dois tipos.
Em alguns casos, uma qualidade inábil irá desaparecer só de observá-la com diligência. Em outros casos, você terá que fazer um esforço concentrado, tomar uma ação enérgica, necessária para contrapor uma qualidade inábil e substituí-la por uma qualidade mais hábil.
À medida que as qualidades hábeis forem assumindo o controle no seu íntimo, você verá que embora o pensamento hábil conduza a ações não prejudiciais, mantê-lo por longos períodos de tempo pode cansar a mente.
Assim, você silencia os seus pensamentos, o que desenvolve mais três dos fatores da iluminação: êxtase, tranqüilidade e concentração. Eles proporcionam à mente uma base de bem estar.
O último fator é a equanimidade e o seu posicionamento na lista é significativo. A sua característica de passividade é plenamente apropriada apenas quando os fatores mais ativos realizaram o que são capazes.
Isso é verdade em todas as listas nas quais a equanimidade é incluída. Ela nunca é mencionada sozinha, como requisito suficiente para a Iluminação; e ela sempre ocorre ao final, depois dos seis fatores antecedentes que constam da lista. Isso não significa que a equanimidade supera os demais fatores, mas simplesmente que ela se associa na interação deles.
Ao invés de substituí-los, ela os contrabalança, permitindo que você dê um passo atrás e veja níveis sutis de sofrimento e desejo que os fatores anteriores possam ter obscurecido; criando assim espaço para que esses fatores possam agir sobre os níveis recém-descobertos.
Apenas quando todos os níveis de sofrimento e desejo tiverem sido eliminados, a tarefa de ambos os aspectos da meditação, iniciativa e passividade, terá sido concluída. É nesse ponto que a mente estará verdadeiramente livre de agendas.
É como aprender a tocar piano. À medida que você se torna mais competente, tocando com grande habilidade, você também desenvolve sensibilidade para ouvir de forma passiva, discernindo níveis cada vez mais sutis na música. E isso faz com que você toque com maior habilidade ainda.
Da mesma forma, à medida que você se torna mais hábil no estabelecimento da atenção plena no fundamento que escolheu, você obtém maior sensibilidade para remover as camadas cada vez mais sutis do momento presente até que nada mais reste obstruindo o caminho para a completa libertação.
Ajaan Thanissaro
reservados.
O termo em Pali para meditação é bhavana: desenvolvimento. Esse é um termo taquigráfico para o desenvolvimento de qualidades hábeis na mente. Bhavana é um tipo de karma – a atividade intencional que no final das contas conduz ao fim de karma – mas ainda assim é karma.
Este ponto é enfatizado por um outro termo em Pali para a meditação: kammatthana, a tarefa em mãos; e por uma expressão em Tailandês para meditação: “fazer um esforço.”
Vale a pena manter esses termos presentes na mente, para contrabalançar a concepção usual de que a meditação é um exercício de inação ou de aceitação passiva, universal.
Na verdade, da forma como é descrita nos textos em Pali, a meditação é um processo que envolve bastante iniciativa. Esta possui uma agenda e se trabalha ativamente para realizá-la. Isso pode ser visto na descrição em Pali sobre como a atenção plena correta é cultivada através de satipatthana.
Satipatthana com freqüência é traduzido como “fundamento da atenção plena,” o que dá a impressão de que se refere a um objeto de meditação. Essa impressão é reforçada quando você vê os quatro satipatthanas listados como corpo, sensações, mente e objetos mentais.
Mas se você olhar os textos, verá que eles ensinam satipathana como um processo, um modo de estabelecer, (upatthana), atenção plena, (sati): daí o termo composto. Quando os textos definem esse composto, eles mencionam não uma lista de objetos, mas quatro fórmulas que descrevem uma atividade.
Abaixo está a primeira fórmula:
Um meditador permanece contemplando o corpo como um corpo, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo.
Cada um dos termos nesta fórmula é importante. “Permanece contemplando” também pode ser traduzido como “mantendo o foco.” Isto se refere ao elemento de concentração dentro da prática, quando você se atém a um tema em particular dentre os fluxos conflitantes da experiência.
“Ardente” se refere ao esforço que você dedica à prática, tentando abandonar os estados mentais inábeis e desenvolver estados hábeis no lugar destes, ao mesmo tempo que tenta discernir a diferença entre os dois.
“Plenamente consciente” ou alerta, significa estar plenamente inteirado daquilo que está acontecendo no presente. “Com atenção plena” significa ser capaz de se lembrar ou recordar.
Algumas vezes a atenção plena é traduzida como uma atenção não reativa, isenta de agendas, simplesmente presente com qualquer coisa que surja, mas a fórmula para satipatthana não endossa essa tradução.
A atenção não reativa faz parte na verdade da equanimidade, uma das muitas qualidades fomentadas no processo de satipatthana, mas a ardência envolvida em satipatthana definitivamente possui uma agenda, uma tarefa a ser feita, enquanto o papel da atenção plena é manter essa tarefa presente na mente.
A tarefa neste caso é dupla: permanecer focado no fundamento e colocar de lado qualquer cobiça ou desprazer que resultariam da transferência do fundamento de volta para o mundo. Esse é o significado de “o corpo como um corpo.”
Em outras palavras, você tenta permanecer com a experiência do corpo tal como este é sentido de imediato, sem referí-lo às narrativas e idéias que compõem a sua noção do mundo.
Você permanece afastado das histórias sobre como você se relacionou com o seu corpo no passado e como espera se relacionar no futuro. Você abandona toda e qualquer preocupação em relação a como o seu corpo se encaixa no mundo em termos da sua beleza, agilidade ou força.
Você simplesmente sintoniza o corpo de acordo com as condições deste – a experiência direta da respiração, dos movimentos, das posturas, das suas propriedades elementares e da sua inevitável decadência.
Dessa forma, você aprende a desnudar as suas suposições sobre o que está ou não está por detrás da sua experiência do corpo e obtém proficiência em relacionar tudo com a própria experiência.
A mesma abordagem se aplica aos demais tipos de satipatthana: focando nas sensações, na mente e nos objetos mentais em si mesmos. À primeira vista, estes podem parecer exercícios de meditação novos e diferentes, mas o Buda deixa claro que todos podem estar centrados numa única prática: estar atento à respiração.
Quando a mente está com a respiração, todos os quatro fundamentos estarão exatamente ali. A diferença está só na sutileza do seu foco. Assim quando você desenvolveu a habilidade com o tipo de satipatthana mais evidente, você não terá que se mover muito para se ocupar com os tipos mais sutis.
Permaneça simplesmente com a respiração e mova o seu foco para as sensações e estados mentais que surgem ao estar atento à respiração e para os objetos mentais que ou atrapalham, ou fortalecem o seu foco.
Uma vez que você tenha escolhido o seu fundamento, você o trata da mesma forma como tem tratado o corpo: tomando-o como um fundamento em si mesmo, sem referí-lo às histórias sobre você mesmo ou as suas idéias acerca do mundo.
Você separa as sensações – de prazer, dor, ou nem prazer, nem dor – das histórias com as quais você normalmente as circunda. Você separa os estados de cobiça, raiva e delusão dos seus pontos focais no mundo. Assim, você poderá vê-los como eles realmente são.
No entanto, você ainda tem uma agenda baseada na aspiração pela Iluminação - um desejo que o Buda classificou não como uma causa para o sofrimento, mas como parte do caminho que conduz ao fim deste. Isto se torna mais evidente no satipatthana focado nos objetos mentais em si mesmos.
Você se familiariza com as qualidades inábeis que obstruem a concentração - tal como o desejo sensual, a má vontade e a inquietação - não só pela experiência, mas também para compreendê-los e poder eliminá-los. De modo semelhante, você se familiariza com as qualidades hábeis que estimulam a sabedoria para poder desenvolvê-las em sua plenitude até alcançar a libertação.
Os textos chamam essas qualidades hábeis de os sete fatores da Iluminação e mostram que a prática de satipatthana tem como objetivo desenvolvê-los numa seqüência.
O primeiro fator é a atenção plena.
O segundo é chamado “investigação dos fenômenos”: a habilidade para distinguir as qualidades mentais hábeis das inábeis, ver aquilo que pode ser aceito e aquilo que precisa ser mudado.
O terceiro fator é a energia – a energia para abandonar as qualidades inábeis e em seu lugar estimular as qualidades hábeis. Os textos descrevem uma variedade de métodos para serem usados nesse intento, mas todos eles se resumem em dois tipos.
Em alguns casos, uma qualidade inábil irá desaparecer só de observá-la com diligência. Em outros casos, você terá que fazer um esforço concentrado, tomar uma ação enérgica, necessária para contrapor uma qualidade inábil e substituí-la por uma qualidade mais hábil.
À medida que as qualidades hábeis forem assumindo o controle no seu íntimo, você verá que embora o pensamento hábil conduza a ações não prejudiciais, mantê-lo por longos períodos de tempo pode cansar a mente.
Assim, você silencia os seus pensamentos, o que desenvolve mais três dos fatores da iluminação: êxtase, tranqüilidade e concentração. Eles proporcionam à mente uma base de bem estar.
O último fator é a equanimidade e o seu posicionamento na lista é significativo. A sua característica de passividade é plenamente apropriada apenas quando os fatores mais ativos realizaram o que são capazes.
Isso é verdade em todas as listas nas quais a equanimidade é incluída. Ela nunca é mencionada sozinha, como requisito suficiente para a Iluminação; e ela sempre ocorre ao final, depois dos seis fatores antecedentes que constam da lista. Isso não significa que a equanimidade supera os demais fatores, mas simplesmente que ela se associa na interação deles.
Ao invés de substituí-los, ela os contrabalança, permitindo que você dê um passo atrás e veja níveis sutis de sofrimento e desejo que os fatores anteriores possam ter obscurecido; criando assim espaço para que esses fatores possam agir sobre os níveis recém-descobertos.
Apenas quando todos os níveis de sofrimento e desejo tiverem sido eliminados, a tarefa de ambos os aspectos da meditação, iniciativa e passividade, terá sido concluída. É nesse ponto que a mente estará verdadeiramente livre de agendas.
É como aprender a tocar piano. À medida que você se torna mais competente, tocando com grande habilidade, você também desenvolve sensibilidade para ouvir de forma passiva, discernindo níveis cada vez mais sutis na música. E isso faz com que você toque com maior habilidade ainda.
Da mesma forma, à medida que você se torna mais hábil no estabelecimento da atenção plena no fundamento que escolheu, você obtém maior sensibilidade para remover as camadas cada vez mais sutis do momento presente até que nada mais reste obstruindo o caminho para a completa libertação.
Meditação de Metta (Amor bondade)
Bhante Henepola Gunaratana
Algumas vezes a prática da meditação de insight (vipassana) pode ser interpretada como sendo um tipo de prática que faz com que o meditador se torne um ser sem coração ou indiferente, como um vegetal que não possui amor e compaixão pelos outros seres vivos
Devemos, no entanto, lembrar que o Buda recomendou de maneira enfática que cultivemos quatro moradas divinas ou estados sublimes da mente: amor bondade (metta), compaixão (karuna), alegria altruísta (mudita) e equanimidade (upekha).
O primeiro desses quatro é tão importante que o Buda disse que alguém que dependa inteiramente de outras pessoas para viver (isto é, um monge ou monja) poderá pagar a sua dívida para com os seus patrocinadores através da prática de metta, dirigida a todos os seres vivos, mesmo que seja por um período de tempo tão curto quanto uma fração de segundo por dia.
O Karaniya Metta Sutta diz: "…sempre que estiver desperto, cultive essa atenção plena: a isto se denomina uma morada divina no aqui e agora."
A atenção plena é um dos fatores mais importantes em todo o conjunto dos ensinamentos do Buda. Desde o dia que ele alcançou a iluminação, até o dia em que ele faleceu aos 80 anos, em quase todos os discursos do Dhamma ele enfatizou a atenção plena. Ao equiparar a prática de metta à atenção plena podemos entender a importância dessa prática dentro do conjunto dos ensinamentos do Buda.
O Buda aperfeiçoou a prática de metta para alcançar a Iluminação, equilibrando-a com a sabedoria. Mesmo após haver alcançado a Iluminação, a primeira coisa que ele fazia todos os dias era penetrar a realização da Grande Compaixão, que é o fruto da prática de metta. Em seguida ele inspecionava o mundo para ver se havia seres que ele poderia auxiliar na compreensão do Dhamma.
Esses quatro estados sublimes da mente são denominados Brahma Vihara, o comportamento ideal ou atitude ideal. Os três primeiros possuem força suficiente para permitir alcançar os primeiros três jhanas e o último para alcançar o quarto jhana.
A sua importância na prática da meditação vipassana fica evidente pelo fato deles estarem incluídos no segundo elemento do Nobre Caminho Óctuplo. Na verdade, nenhuma concentração é possível sem esses estados sublimes da mente, porque na ausência deles a mente fica cheia de raiva, rigidez, preocupações, temores, tensão e inquietação.
Antes de nos dedicarmos à prática desses estados nobres da mente, devemos superar a raiva, que é uma maneira impensada de desperdiçar a própria energia. A raiva, quando ativa, se compara à água fervendo ou, quando não é expressa, ao preconceito.
Ela pode destruir a nossa prática de meditação e o treinamento das virtudes. A pessoa enraivecida se compara a um pedaço de lenha meio queimado deixado em uma pira funerária. Ambas as extremidades da lenha estão queimadas e transformadas em carvão e o meio está coberto com imundícies.
Ninguém pegaria esse pedaço de lenha para queimar ou para qualquer outro propósito porque ficaria com as mão imundas. Da mesma forma a pessoa enraivecida será evitada de todas as formas, se possível, por todos.
Precisamos começar a prática de metta com nós mesmos primeiro. Algumas vezes alguns de vocês podem se perguntar porque devemos amar a nós mesmos primeiro. Isso não seria amor próprio que conduz ao egoísmo? Se você investigar a sua mente cuidadosamente no entanto, irá se convencer de que não existe nenhuma outra pessoa em todo o universo que você ame mais do que você mesmo.
O Buda disse, “Tendo atravessado todos os quadrantes com a mente, ele não encontra em nenhum lugar alguém mais querido do que ele mesmo. Do mesmo modo, toda pessoa considera a si mesma como a mais querida; por conseguinte quem ama a si mesmo não deveria ferir os outros.” (Mallika Sutta).
Quem não ama a si mesmo será incapaz de amar aos outros. Da mesma forma, quem ama a si mesmo irá sentir o impacto de metta e poderá então compreender quão belo seria se todos os corações no mundo estivessem plenos com o mesmo sentimento de metta.
O tipo de amor bondade que queremos cultivar não é o amor comum tal como é entendido no uso diário. Quando você diz, por exemplo, "eu amo tal pessoa" ou "tal coisa", o que você realmente está querendo dizer é que você deseja a aparência, comportamento, idéias, tom da voz ou a atitude em geral daquela pessoa, em relação a você particularmente, ou em relação à vida de forma geral.
Se aquela pessoa mudar as coisas pelas quais você a deseja, você poderá decidir que não a ama mais. Se as preferências, caprichos e fantasias das pessoas mudarem, elas não mais dirão "eu amo tal pessoa".
Nessa dualidade de amor-ódio você ama uma pessoa e odeia outra. Você ama agora e odeia depois. Você ama quando quiser e odeia quando quiser. Você ama quando tudo está bem e sem problemas e odeia quando alguma coisa dá errado no relacionamento entre você e a outra pessoa.
Se o seu amor muda dessa forma de tempos em tempos, de lugar em lugar e de situação para situação, então o que você chama de "amor" não é metta mas sim desejo, cobiça ou luxúria - de nenhuma forma isso é amor.
O tipo de amor bondade que queremos cultivar através da meditação não possui um oposto ou um motivo velado. Assim, a dicotomia amor-ódio não se aplica ao amor bondade cultivado através da sabedoria ou da atenção plena, pois ele nunca irá se transformar em ódio à medida que as circunstâncias mudarem.
O verdadeiro amor bondade é uma faculdade natural que está oculta sob o amontoado de desejo, raiva e ignorância. Ele não pode ser dado. Nós precisamos encontrá-lo dentro de nós mesmos e cultivá-lo com a atenção plena.
A atenção plena o descobre, cultiva e mantém. A consciência do "eu" (ahankara) se dissolve com a atenção plena e o seu lugar é tomado pelo amor bondade isento de egoísmo.
Por causa do nosso egoísmo odiamos algumas pessoas. Queremos viver de certo jeito, queremos fazer certas coisas ao nosso modo, perceber as coisas de uma forma particular; e não de outro jeito.
Se outras pessoas não concordarem com as nossas opiniões, nossos jeitos e nossos estilos, não só as odiaremos, mas também nos tornaremos tão cegos e irracionais, devido à falta de atenção plena, que poderemos chegar ao ponto de negar-lhes o direito à vida.
Quando você pratica metta você não fica colérico por não receber algum tipo de retribuição de pessoas e seres para os quais você irradiou o seu metta, porque ao irradiar-lhes o seu amor bondade você não possuía nenhum motivo oculto.
Nessa rede de amor bondade você não somente inclui todos os seres tal como eles são, mas você deseja que todos eles, sem qualquer discriminação, sejam felizes.
Você irá se portar de maneira gentil e agradável para com todos e irá falar a respeito deles de forma gentil e agradável tanto na presença como na ausência deles.
Ao meditar as nossas mentes e corpos se tornam naturalmente relaxados. Os obstáculos são dissolvidos. A sonolência e o torpor por exemplo são substituídos pela vigilância. A dúvida é substituída pela confiança, a raiva pela alegria, a inquietação e a preocupação pela felicidade.
Na medida que o ressentimento é substituído pela alegria, o amor bondade escondido no nosso subconsciente se manifesta fazendo com que fiquemos ainda mais em paz e felizes. Nesse estado de meditação obtemos concentração e superamos a nossa cobiça.
Podemos ver como a meditação destrói a raiva e cultiva metta, que por seu lado dá sustentação para a nossa prática de meditação. Juntos, os dois operam em uníssono, culminando com a concentração e o insight.
Assim, para capturar na própria mente a energia do amor bondade a pessoa precisa se aperfeiçoar através da prática da meditação da atenção plena.
A observação atenta dos nossos estados mentais pode fazer com que tenhamos consciência do dano, destruição e dor causados por certos tipos de pensamentos. Enquanto que outros são cheios de paz e alegria.
Com isso, a nossa mente passa a rejeitar aquilo que é prejudicial e a cultivar o que é pacífico e prazenteiro. Não aprendemos isso nos livros, com mestres, amigos ou inimigos, mas através da nossa própria prática e experiência.
Quando os pensamentos prejudiciais surgem aprendemos a não lhes dar atenção e quando pensamentos benéficos surgem nós permitimos que eles se expandam e permaneçam por mais tempo na mente. Assim aprendemos com a nossa própria experiência como pensar de forma mais saudável.
Essa prática cria as condições na nossa mente para que o amor bondade cresça. Isso significa que pensamentos benéficos que surgem na nossa mente por si mesmos, podem ser gerados de acordo com a nossa própria vontade, mais tarde.
Essa prática nos ajuda a compreender que o amor bondade pode se desenvolver e crescer no fundo da nossa mente. Fatores ambientais ou circunstanciais desempenham um papel importante nesse cultivo. Nenhum ser humano está totalmente desprovido de amor bondade, não importa o quão cruel ele ou ela aparentem ser. O amor bondade escondido no subconsciente de cada pessoa deve ser trazido à tona através do desenvolvimento da habilidade da atenção plena.
"Mitra" na literatura védica e "Mitta" na literatura em Pali significam o sol. A natureza do sol pode ser chamada de "Maitri" ou "Metta". Maitri ou Metta também significam amor bondade ou amizade.
Talvez a razão porque o amor bondade seja assim chamado é porque gera sentimentos calorosos em relação a todos os seres. Da mesma forma como o calor vem do sol, aquele que possui amor bondade possui uma coração pleno de calor para com todos. Da mesma forma como o sol brilha sem discriminação sobre todos os objetos no mundo, "Metta" ou "Maitri" permeiam todos os seres sem qualquer discriminação.
Da mesma forma como o sol dissipa a escuridão, o amor bondade destrói a escuridão da raiva. Da mesma forma como alguns objetos absorvem melhor o sol do que outros, alguns seres vivos absorvem melhor o amor bondade do que outros. Os seres que absorvem mais amor bondade do que outros são aqueles que aprendem a relaxar devido ao seu Kamma.
O Buda cultivou metta tão potente que o fez amar o seu pior inimigo, Devadatta, que tentou matá-lo várias vezes. Ele amava o assaltante e assassino Angulimala, que também tentou matá-lo. Ele amava Dhanapala, um elefante que tentou matá-lo. Ele amava a todos da mesma forma como amava o seu filho Rahula. Quando Devadatta morreu, ao ir ter com o Buda, os monges perguntaram ao Buda qual seria o seu futuro. O Buda disse que no futuro ele se converteria num Buda silencioso. Assim é o amor bondade, guiado pela atenção plena, que nos permite viver em paz e harmonia.
O amor bondade ou metta não pode ser cultivado pela mera repetição de palavras de amor bondade. Esse tipo de repetição é muito parecido com a repetição de uma receita para um paciente num hospital ou de um cardápio para uma pessoa faminta em um restaurante. Repetir uma lista de coisas nunca irá produzir o resultado tangível das palavras da lista. O amor bondade é algo que tem que ser cultivado com intenção por nós mesmos nas nossas mentes.
O amor bondade é desenvolvido através da meditação. Quando a mente está relaxada, o meditador é capaz de perdoar e esquecer todas as ofensas que foram cometidas contra ele.
A pessoa pode praticar metta através da meditação da tranqüilidade (samatha). Mas isso não dura para sempre porque a tranqüilidade que é alcançada é apenas temporária.
O amor bondade cultivado através de vipassana, por outro lado, é perpétuo, porque os efeitos da meditação vipassana se enraízam profundamente na mente da pessoa. A meditação vipassana abranda a mente, e o amor bondade, cultivado em conjunto com o abrandamento da mente, irá lançar raízes profundas na mente.
Quem pratica a meditação vipassana vê a impermanência nas formas, sensações, percepções, formações mentais e consciência. Eles podem comparar as mudanças nesses agregados com aqueles das outras pessoas.
Dessa forma eles não vêm nenhuma pessoa ou coisa com ódio. Se eles perguntarem a si mesmos quem eles odeiam, eles não irão encontrar nenhum indivíduo para odiar. Da mesma forma, eles não encontrarão nenhum indivíduo pelo qual possam cultivar o amor bondade. Tudo que eles percebem é o fenômeno do fluxo contínuo dos eventos que ocorrem a cada momento, consigo mesmo e com os outros.
Isso os capacita a perdoar e esquecer as ofensas que outros agregados tenham cometido contra eles, ou seus amigos, ou parentes. A meditação de metta é o processo verdadeiro que genuinamente desenvolve as nossas nobres qualidades, que podem promover a paz e a felicidade. Não podemos inculcar amor bondade nas mentes das outras pessoas. Nem as outras pessoas podem fazer o mesmo conosco.
Você não poderá inculcar amor bondade em mim pela força se o meu Kamma impedir minha mente de aceitá-lo. Cada um de nós precisa preparar o terreno para que o amor bondade se desenvolva e cresça dentro da nossa mente.
Você também deve tê-lo dentro de si antes que possa ensiná-lo aos outros, da mesma forma como você não pode ensinar algo para alguém se você não conhecer o assunto primeiro.
Suponha que você tente ensinar algo para outras pessoas sem conhecer o assunto. Você irá passar por tolo. Quanto mais você conhecer o seu assunto, melhor será para ensiná-lo aos outros.
Da mesma forma, quanto mais treinada for a sua mente na disciplina do amor bondade, melhor será para ensiná-la ao mundo como cultivá-la. É óbvio que você não precisa esperar até que o seu aprendizado e treinamento estejam completos para iniciar o seu ensino.
Enquanto pratica o amor bondade você estará ganhando experiência prática. Você não poderá praticar no vazio. Tem que haver outros seres vivos para que você possa praticar de forma a ganhar experiência.
Portanto, ao mesmo tempo que você treina praticando o amor bondade, estará também treinando os outros nessa prática. Enquanto ensina você aprende. Enquanto aprende você ensina.
Até mesmo os Bodisatvas, enquanto se empenham com vigor na própria salvação, ajudam o mundo. A sua prática os auxilia a alcançar a iluminação primeiro, para assim serem capazes de ajudar o mundo a alcançar o mesmo objetivo.
Se eles ensinarem os outros a praticar o amor bondade sem que eles mesmos o pratiquem, eles não alcançarão a iluminação, nem serão capazes de ajudar os outros a praticar o amor bondade.
Cada um de nós precisa cultivá-lo por si mesmo e para si mesmo. Você não pode cultivá-lo pelos outros. Nem os outros podem cultivá-lo por você.
Se eu prometer salvá-lo praticando o amor bondade sem que você o pratique, então somente eu livrarei a minha mente da má vontade, pois não serei capaz de livrar a sua mente desse estado negativo.
Da mesma forma, se você cultivar o amor bondade para mim e eu cultivá-lo para você, então, ambos estaremos praticando. Eu não deveria esperar que você pratique o amor bondade por mim. Nem você deveria esperar que eu o pratique por você.
Se você disser, "Não pratique o amor bondade que eu o farei por você", isso não funciona. Não diga "Como posso cultivar amor bondade por tal pessoa que me odeia?" Se você odeia quem lhe odeia, ambos estarão fazendo o mal.
Ao fazer essa pergunta o que você está dizendo, em outras palavras é, "Como posso ser bom se os outros são maus?" Ou "Como posso evitar cometer crimes se os outros cometem crimes?" Você não pratica amor bondade porque os outros o cultivam. Você quer cultivá-lo justamente porque os outros não o cultivam.
Em última análise a prática do amor bondade depende do desenvolvimento espiritual e do Kamma da pessoa. As mentes de algumas pessoas possuem um Kamma tão desafortunado que para elas é quase impossível sonhar quanto à eficácia do amor bondade quanto mais praticá-lo, pois o seu Kamma impede que elas vejam o benefício do amor bondade.
Se você for ensinar uma classe de alunos irá notar que o desempenho dos alunos não é igual. Mesmo gêmeos idênticos possuem desempenhos distintos. A individualidade é a forma de expressar o desenvolvimento emocional, intelectual, físico e espiritual condicionado pelo Kamma da pessoa. Nem mesmo o Buda pode interferir no Kamma de uma pessoa. Nós não somos criados iguais, nascemos diferentes uns dos outros de acordo com o nosso próprio Kamma que divide os indivíduos com qualidades superiores e inferiores.
Se você praticar um ato com bom Kamma e desfrutar do seu resultado, eu não serei capaz de roubá-lo ou tomá-lo de você seja pela força ou por meios amigáveis. Se eu praticar o amor bondade para todos os seres poderei limpar a minha mente da raiva.
Assim a prática do amor bondade se manifesta no meu comportamento. Começar a prática do amor bondade é começar a prática de bom Kamma, pois nenhum bom Kamma pode ser praticado sem amor bondade.
Ao apresentar os Quatro Fundamentos da Atenção Plena o Buda disse aos meditadores que superassem a cobiça e a raiva e o motivo é que durante a prática da atenção plena o meditador irá encontrar muitos problemas com ambos, a cobiça e a raiva. Com freqüência as pessoas perguntam "Podemos eliminar a dor, o sofrimento e a raiva das outras pessoas através do cultivo interior de amor bondade?"
Até mesmo o Buda é incapaz de erradicar a dor e o sofrimento de outras pessoas desejando-lhes a paz e a felicidade. O Buda disse: "Você precisa trabalhar a sua própria salvação. Os Budas apenas ensinam".
Como cada indivíduo possui a sua parcela de Kamma, cada um tem que se dedicar para obter a sua própria salvação. Se pudéssemos eliminar o sofrimento dos outros desejando que eles se libertem da dor e do sofrimento, então fazer com que todo o mundo tivesse paz e felicidade seria muito fácil.
Se isso fosse possível então da mesma forma, também deveria ser possível que uma pessoa vingativa destruísse todos os seus inimigos desejando-lhes: "Que eles sejam feios, que eles sintam dores, que eles não sejam prósperos, que eles não sejam ricos, que eles não sejam famosos, que eles não tenham amigos e que eles após a morte renasçam em estados miseráveis de existência".
Na realidade, aqueles que fazem esses tipos de desejos inábeis é que poderão ficar feios, com dores, sem prosperidade, sem riqueza, sem fama, sem amigos e após a morte poderão renascer em um estado miserável de existência, porque eles cometem um Kamma ruim com a mente, por terem um desejo consciente cheio de raiva. Pensamentos ruins têm o poder de fazer com que os outros se sintam mal e bons pensamentos têm o poder de fazer com que se sintam bem.
Você pode se perguntar, "Se no sentido mais fundamental não existem seres, ou em nenhum sentido algum tipo de eu, ou se existem seres em um sentido condicional e a minha prática de amor bondade não elimina a sua dor e sofrimento, devido ao seu próprio Kamma, porque devo cultivar o amor bondade?"
Você deve se lembrar que quando a sua mente está cheia de pensamentos ruins ou pensamentos cheios de raiva por exemplo, você fala de uma forma rude com a linguagem grosseira, praguejando, difamando e caluniando. Você fala de forma maldosa.
Quando a sua mente está cheia de ódio, tudo que você vê gera dor; tudo que você ouve gera dor; tudo que você cheira gera dor; tudo que você come faz com que fique enfermo, tudo que você toca é desagradável para o corpo; e tudo que você pensa é doloroso.
Você se torna vingativo. Você sempre fala mal dos outros, nunca vê nada de bom nos outros. Você se torna muito crítico. Você sempre encontra defeitos nos outros. Você nunca aprecia as coisas boas que eles fazem.
Você estará enciumado todo o tempo. Você se torna muito arrogante, ingrato, malvado, com a mente muito mal intencionada. Você sempre pensa em causar dano aos outros. Você se delicia em ver os outros sofrerem, com problemas, com dificuldades.
Você fica muito feliz em ver os outros fracassarem na vida. Assim o seu comportamento ultraja as pessoas. Facilmente você faz com que as outras pessoas se sintam mal.
O seu comportamento será muito desagradável para as outras pessoas. Todos que estiverem ao seu redor sentirão nojo em ter que trabalhar com você. Elas ficarão com dor de estômago e dor de cabeça. Elas ficarão muito nervosas por estarem próximas de você. É assim que os seus pensamentos inábeis afetam as outras pessoas.
Por outro lado se a sua mente estiver plena com amor bondade, você irá falar de forma gentil, bondosa e amigável. Tudo que você ver será motivo para alegria; tudo que você ouvir será agradável. A sua comida terá um sabor melhor. Tudo que você tocar fará com que fique satisfeito. Tudo que você cheirar será agradável. Tudo que você pensar será muito agradável e tranqüilo. Você não medirá esforços para ajudar as outras pessoas. Você se tornará bastante compreensivo e circunspecto. Você terá muita paciência. Você se tornará muito amoldável. Você sempre dirá a verdade. Você sempre irá procurar agradar aos outros. Você estará preparado para esquecer o mal que lhe fizeram e perdoar as pessoas. Você sempre estará relaxado. Você não terá um riso falso e desnecessário, mas um sorriso amigável. Assim as pessoas irão amar trabalhar com você. Elas se sentirão confortáveis em sua companhia. As suas mentes também se tornarão suaves e gentis em relação a você. Elas protegerão você. Elas não falarão mal de você pelas suas costas mas, sim, bem. O seu nível de produtividade aumentará. A sua reputação aumentará.
Além disso, você poderá perguntar "Qual é o proveito de praticar o amor bondade para com todos os seres dizendo: ‘Todos os seres vivos que existem, fracos ou fortes, sem exceção, compridos, grandes, médios, curtos, sutis, grosseiros, visíveis e invisíveis, próximos e distantes, nascidos e por nascer: que todos os seres tenham os corações plenos de bem-aventurança!' Porque se deveria desejar, ‘Que ninguém engane ou despreze outrem, em nenhum lugar, ou devido à raiva ou inimizade deseje que alguém sofra. Tal qual uma mãe, colocando em risco a própria vida, ama e protege o seu filho, o seu único filho, da mesma forma, abraçando todos os seres, cultive um coração sem limites.’ Porque alguém deveria ‘Com amor bondade para todo o universo, cultive um coração sem limites: acima, abaixo e em toda a volta, desobstruído, livre da raiva e da inimizade. Quer seja parado, andando, sentado, ou deitado, sempre que estiver desperto, cultive essa atenção plena?'"
Algumas vezes, também, as pessoas se perguntam como podemos desejar para os nossos inimigos "Que os meus inimigos possam estar bem, felizes e tranquilos. Que nenhum mal lhes aconteça; que eles não enfrentem nenhuma dificuldade; que eles não enfrentem nenhum problema; que eles sejam sempre bem sucedidos. Que eles também tenham paciência, coragem, compreensão e determinação para enfrentar e superar as inevitáveis dificuldades, problemas e fracassos da vida?"
Precisamos lembrar que praticamos amor bondade para a purificação das nossas próprias mentes, da mesma forma que praticamos a meditação para alcançar a iluminação. Ao desenvolver amor bondade interiormente poderei me comportar de maneira mais amigável, sem preferências, preconceitos, discriminação ou ódio. O meu nobre comportamento permite que eu auxilie os demais seres condicionados, da forma mais prática, para reduzir a sua dor e o seu sofrimento. São as pessoas compassivas que se comportam de forma suave e gentil para fazer com que as pessoas ao seu redor se sintam confortáveis. Compaixão é a manifestação do amor bondade em ação, pois quem não possui amor bondade é incapaz de ajudar os outros. Comportamento nobre significa portar-se da forma mais cordial e amigável possível. O comportamento inclui os pensamentos, linguagem e ações corporais. Se houver contradições nessa forma tríplice de expressar o nosso comportamento, então existe algo de errado nele. O comportamento contraditório não pode ser um comportamento nobre. Se alguém fala de amor bondade mas se comporta de uma forma grosseira, ele/ela é hipócrita não é honesto/a.
Por outro lado, falando em termos pragmáticos, é muito melhor cultivar o nobre pensamento, "Que todos os seres sejam felizes" do que o pensamento "Eu o odeio". O pensamento nobre irá definitivamente encontrar a sua expressão no nosso nobre comportamento e o nosso pensamento maldoso irá encontrar a sua expressão no mau comportamento.
Precisamos lembrar que os nossos pensamentos são transformados em linguagem e ação de modo a alcançar o resultado esperado. A intenção ou pensamento traduzido em ação é capaz de produzir um hormônio positivo no nosso cérebro. Esse hormônio positivo age como um nutriente que alimenta e fortifica os nossos nervos. Quando os nossos nervos são estimulados com esse hormônio positivo eles se fortalecem. Esse hormônio positivo será também transportado através do nosso corpo pela circulação sanguínea, fazendo com que as nossas células sejam saudáveis. Os nervos e células saudáveis fazem com que o nosso corpo e mente sejam fortes e saudáveis.
Devemos sempre falar e fazer as coisas com atenção plena no amor bondade. Se, enquanto fala de amor bondade, você age ou fala de uma forma diametralmente oposta, você será repreendido pelos sábios. Na medida em que a atenção plena no amor bondade se desenvolve, os nossos pensamentos, palavras e ações se tornam gentis, agradáveis, relevantes, verdadeiros e benéficos para nós, bem como para os demais. Se os nossos pensamentos, palavras ou ações causam dano para nós, para os outros, ou ambos, então precisamos nos questionar se realmente estamos plenamente atentos ao amor bondade.
Em termos práticos, se todos os seus inimigos estivessem bem, felizes e tranqüilos, eles não seriam seus inimigos. Se eles estiverem livres de problemas, dores, sofrimento, aflições, neuroses, psicoses, paranóias, temores, tensões, ansiedades, etc., eles não serão mais os seus inimigos. A sua solução prática para os seus inimigos é auxiliá-los a superar os problemas deles, de forma que você possa viver em paz e feliz. Na verdade, se você pudesse, você deveria preencher as mentes de todos os seus inimigos com amor bondade e fazer com que todos eles realizem Nibbana, assim você poderia viver em paz e feliz. Quanto mais neuroses, psicoses, temores, tensões, ansiedades, etc eles tiverem, tanto mais problemas, dores e sofrimento eles poderão causar ao mundo. Se você conseguir converter uma pessoa má e cruel em uma pessoa pura e santa então você terá realizado um milagre que o Buda nos permitiu realizar. Cultivemos a sabedoria e o amor bondade nas nossas mentes para converter as mentes más em mentes santas.
Bhante Henepola Gunaratana
Algumas vezes a prática da meditação de insight (vipassana) pode ser interpretada como sendo um tipo de prática que faz com que o meditador se torne um ser sem coração ou indiferente, como um vegetal que não possui amor e compaixão pelos outros seres vivos
Devemos, no entanto, lembrar que o Buda recomendou de maneira enfática que cultivemos quatro moradas divinas ou estados sublimes da mente: amor bondade (metta), compaixão (karuna), alegria altruísta (mudita) e equanimidade (upekha).
O primeiro desses quatro é tão importante que o Buda disse que alguém que dependa inteiramente de outras pessoas para viver (isto é, um monge ou monja) poderá pagar a sua dívida para com os seus patrocinadores através da prática de metta, dirigida a todos os seres vivos, mesmo que seja por um período de tempo tão curto quanto uma fração de segundo por dia.
O Karaniya Metta Sutta diz: "…sempre que estiver desperto, cultive essa atenção plena: a isto se denomina uma morada divina no aqui e agora."
A atenção plena é um dos fatores mais importantes em todo o conjunto dos ensinamentos do Buda. Desde o dia que ele alcançou a iluminação, até o dia em que ele faleceu aos 80 anos, em quase todos os discursos do Dhamma ele enfatizou a atenção plena. Ao equiparar a prática de metta à atenção plena podemos entender a importância dessa prática dentro do conjunto dos ensinamentos do Buda.
O Buda aperfeiçoou a prática de metta para alcançar a Iluminação, equilibrando-a com a sabedoria. Mesmo após haver alcançado a Iluminação, a primeira coisa que ele fazia todos os dias era penetrar a realização da Grande Compaixão, que é o fruto da prática de metta. Em seguida ele inspecionava o mundo para ver se havia seres que ele poderia auxiliar na compreensão do Dhamma.
Esses quatro estados sublimes da mente são denominados Brahma Vihara, o comportamento ideal ou atitude ideal. Os três primeiros possuem força suficiente para permitir alcançar os primeiros três jhanas e o último para alcançar o quarto jhana.
A sua importância na prática da meditação vipassana fica evidente pelo fato deles estarem incluídos no segundo elemento do Nobre Caminho Óctuplo. Na verdade, nenhuma concentração é possível sem esses estados sublimes da mente, porque na ausência deles a mente fica cheia de raiva, rigidez, preocupações, temores, tensão e inquietação.
Antes de nos dedicarmos à prática desses estados nobres da mente, devemos superar a raiva, que é uma maneira impensada de desperdiçar a própria energia. A raiva, quando ativa, se compara à água fervendo ou, quando não é expressa, ao preconceito.
Ela pode destruir a nossa prática de meditação e o treinamento das virtudes. A pessoa enraivecida se compara a um pedaço de lenha meio queimado deixado em uma pira funerária. Ambas as extremidades da lenha estão queimadas e transformadas em carvão e o meio está coberto com imundícies.
Ninguém pegaria esse pedaço de lenha para queimar ou para qualquer outro propósito porque ficaria com as mão imundas. Da mesma forma a pessoa enraivecida será evitada de todas as formas, se possível, por todos.
Precisamos começar a prática de metta com nós mesmos primeiro. Algumas vezes alguns de vocês podem se perguntar porque devemos amar a nós mesmos primeiro. Isso não seria amor próprio que conduz ao egoísmo? Se você investigar a sua mente cuidadosamente no entanto, irá se convencer de que não existe nenhuma outra pessoa em todo o universo que você ame mais do que você mesmo.
O Buda disse, “Tendo atravessado todos os quadrantes com a mente, ele não encontra em nenhum lugar alguém mais querido do que ele mesmo. Do mesmo modo, toda pessoa considera a si mesma como a mais querida; por conseguinte quem ama a si mesmo não deveria ferir os outros.” (Mallika Sutta).
Quem não ama a si mesmo será incapaz de amar aos outros. Da mesma forma, quem ama a si mesmo irá sentir o impacto de metta e poderá então compreender quão belo seria se todos os corações no mundo estivessem plenos com o mesmo sentimento de metta.
O tipo de amor bondade que queremos cultivar não é o amor comum tal como é entendido no uso diário. Quando você diz, por exemplo, "eu amo tal pessoa" ou "tal coisa", o que você realmente está querendo dizer é que você deseja a aparência, comportamento, idéias, tom da voz ou a atitude em geral daquela pessoa, em relação a você particularmente, ou em relação à vida de forma geral.
Se aquela pessoa mudar as coisas pelas quais você a deseja, você poderá decidir que não a ama mais. Se as preferências, caprichos e fantasias das pessoas mudarem, elas não mais dirão "eu amo tal pessoa".
Nessa dualidade de amor-ódio você ama uma pessoa e odeia outra. Você ama agora e odeia depois. Você ama quando quiser e odeia quando quiser. Você ama quando tudo está bem e sem problemas e odeia quando alguma coisa dá errado no relacionamento entre você e a outra pessoa.
Se o seu amor muda dessa forma de tempos em tempos, de lugar em lugar e de situação para situação, então o que você chama de "amor" não é metta mas sim desejo, cobiça ou luxúria - de nenhuma forma isso é amor.
O tipo de amor bondade que queremos cultivar através da meditação não possui um oposto ou um motivo velado. Assim, a dicotomia amor-ódio não se aplica ao amor bondade cultivado através da sabedoria ou da atenção plena, pois ele nunca irá se transformar em ódio à medida que as circunstâncias mudarem.
O verdadeiro amor bondade é uma faculdade natural que está oculta sob o amontoado de desejo, raiva e ignorância. Ele não pode ser dado. Nós precisamos encontrá-lo dentro de nós mesmos e cultivá-lo com a atenção plena.
A atenção plena o descobre, cultiva e mantém. A consciência do "eu" (ahankara) se dissolve com a atenção plena e o seu lugar é tomado pelo amor bondade isento de egoísmo.
Por causa do nosso egoísmo odiamos algumas pessoas. Queremos viver de certo jeito, queremos fazer certas coisas ao nosso modo, perceber as coisas de uma forma particular; e não de outro jeito.
Se outras pessoas não concordarem com as nossas opiniões, nossos jeitos e nossos estilos, não só as odiaremos, mas também nos tornaremos tão cegos e irracionais, devido à falta de atenção plena, que poderemos chegar ao ponto de negar-lhes o direito à vida.
Quando você pratica metta você não fica colérico por não receber algum tipo de retribuição de pessoas e seres para os quais você irradiou o seu metta, porque ao irradiar-lhes o seu amor bondade você não possuía nenhum motivo oculto.
Nessa rede de amor bondade você não somente inclui todos os seres tal como eles são, mas você deseja que todos eles, sem qualquer discriminação, sejam felizes.
Você irá se portar de maneira gentil e agradável para com todos e irá falar a respeito deles de forma gentil e agradável tanto na presença como na ausência deles.
Ao meditar as nossas mentes e corpos se tornam naturalmente relaxados. Os obstáculos são dissolvidos. A sonolência e o torpor por exemplo são substituídos pela vigilância. A dúvida é substituída pela confiança, a raiva pela alegria, a inquietação e a preocupação pela felicidade.
Na medida que o ressentimento é substituído pela alegria, o amor bondade escondido no nosso subconsciente se manifesta fazendo com que fiquemos ainda mais em paz e felizes. Nesse estado de meditação obtemos concentração e superamos a nossa cobiça.
Podemos ver como a meditação destrói a raiva e cultiva metta, que por seu lado dá sustentação para a nossa prática de meditação. Juntos, os dois operam em uníssono, culminando com a concentração e o insight.
Assim, para capturar na própria mente a energia do amor bondade a pessoa precisa se aperfeiçoar através da prática da meditação da atenção plena.
A observação atenta dos nossos estados mentais pode fazer com que tenhamos consciência do dano, destruição e dor causados por certos tipos de pensamentos. Enquanto que outros são cheios de paz e alegria.
Com isso, a nossa mente passa a rejeitar aquilo que é prejudicial e a cultivar o que é pacífico e prazenteiro. Não aprendemos isso nos livros, com mestres, amigos ou inimigos, mas através da nossa própria prática e experiência.
Quando os pensamentos prejudiciais surgem aprendemos a não lhes dar atenção e quando pensamentos benéficos surgem nós permitimos que eles se expandam e permaneçam por mais tempo na mente. Assim aprendemos com a nossa própria experiência como pensar de forma mais saudável.
Essa prática cria as condições na nossa mente para que o amor bondade cresça. Isso significa que pensamentos benéficos que surgem na nossa mente por si mesmos, podem ser gerados de acordo com a nossa própria vontade, mais tarde.
Essa prática nos ajuda a compreender que o amor bondade pode se desenvolver e crescer no fundo da nossa mente. Fatores ambientais ou circunstanciais desempenham um papel importante nesse cultivo. Nenhum ser humano está totalmente desprovido de amor bondade, não importa o quão cruel ele ou ela aparentem ser. O amor bondade escondido no subconsciente de cada pessoa deve ser trazido à tona através do desenvolvimento da habilidade da atenção plena.
"Mitra" na literatura védica e "Mitta" na literatura em Pali significam o sol. A natureza do sol pode ser chamada de "Maitri" ou "Metta". Maitri ou Metta também significam amor bondade ou amizade.
Talvez a razão porque o amor bondade seja assim chamado é porque gera sentimentos calorosos em relação a todos os seres. Da mesma forma como o calor vem do sol, aquele que possui amor bondade possui uma coração pleno de calor para com todos. Da mesma forma como o sol brilha sem discriminação sobre todos os objetos no mundo, "Metta" ou "Maitri" permeiam todos os seres sem qualquer discriminação.
Da mesma forma como o sol dissipa a escuridão, o amor bondade destrói a escuridão da raiva. Da mesma forma como alguns objetos absorvem melhor o sol do que outros, alguns seres vivos absorvem melhor o amor bondade do que outros. Os seres que absorvem mais amor bondade do que outros são aqueles que aprendem a relaxar devido ao seu Kamma.
O Buda cultivou metta tão potente que o fez amar o seu pior inimigo, Devadatta, que tentou matá-lo várias vezes. Ele amava o assaltante e assassino Angulimala, que também tentou matá-lo. Ele amava Dhanapala, um elefante que tentou matá-lo. Ele amava a todos da mesma forma como amava o seu filho Rahula. Quando Devadatta morreu, ao ir ter com o Buda, os monges perguntaram ao Buda qual seria o seu futuro. O Buda disse que no futuro ele se converteria num Buda silencioso. Assim é o amor bondade, guiado pela atenção plena, que nos permite viver em paz e harmonia.
O amor bondade ou metta não pode ser cultivado pela mera repetição de palavras de amor bondade. Esse tipo de repetição é muito parecido com a repetição de uma receita para um paciente num hospital ou de um cardápio para uma pessoa faminta em um restaurante. Repetir uma lista de coisas nunca irá produzir o resultado tangível das palavras da lista. O amor bondade é algo que tem que ser cultivado com intenção por nós mesmos nas nossas mentes.
O amor bondade é desenvolvido através da meditação. Quando a mente está relaxada, o meditador é capaz de perdoar e esquecer todas as ofensas que foram cometidas contra ele.
A pessoa pode praticar metta através da meditação da tranqüilidade (samatha). Mas isso não dura para sempre porque a tranqüilidade que é alcançada é apenas temporária.
O amor bondade cultivado através de vipassana, por outro lado, é perpétuo, porque os efeitos da meditação vipassana se enraízam profundamente na mente da pessoa. A meditação vipassana abranda a mente, e o amor bondade, cultivado em conjunto com o abrandamento da mente, irá lançar raízes profundas na mente.
Quem pratica a meditação vipassana vê a impermanência nas formas, sensações, percepções, formações mentais e consciência. Eles podem comparar as mudanças nesses agregados com aqueles das outras pessoas.
Dessa forma eles não vêm nenhuma pessoa ou coisa com ódio. Se eles perguntarem a si mesmos quem eles odeiam, eles não irão encontrar nenhum indivíduo para odiar. Da mesma forma, eles não encontrarão nenhum indivíduo pelo qual possam cultivar o amor bondade. Tudo que eles percebem é o fenômeno do fluxo contínuo dos eventos que ocorrem a cada momento, consigo mesmo e com os outros.
Isso os capacita a perdoar e esquecer as ofensas que outros agregados tenham cometido contra eles, ou seus amigos, ou parentes. A meditação de metta é o processo verdadeiro que genuinamente desenvolve as nossas nobres qualidades, que podem promover a paz e a felicidade. Não podemos inculcar amor bondade nas mentes das outras pessoas. Nem as outras pessoas podem fazer o mesmo conosco.
Você não poderá inculcar amor bondade em mim pela força se o meu Kamma impedir minha mente de aceitá-lo. Cada um de nós precisa preparar o terreno para que o amor bondade se desenvolva e cresça dentro da nossa mente.
Você também deve tê-lo dentro de si antes que possa ensiná-lo aos outros, da mesma forma como você não pode ensinar algo para alguém se você não conhecer o assunto primeiro.
Suponha que você tente ensinar algo para outras pessoas sem conhecer o assunto. Você irá passar por tolo. Quanto mais você conhecer o seu assunto, melhor será para ensiná-lo aos outros.
Da mesma forma, quanto mais treinada for a sua mente na disciplina do amor bondade, melhor será para ensiná-la ao mundo como cultivá-la. É óbvio que você não precisa esperar até que o seu aprendizado e treinamento estejam completos para iniciar o seu ensino.
Enquanto pratica o amor bondade você estará ganhando experiência prática. Você não poderá praticar no vazio. Tem que haver outros seres vivos para que você possa praticar de forma a ganhar experiência.
Portanto, ao mesmo tempo que você treina praticando o amor bondade, estará também treinando os outros nessa prática. Enquanto ensina você aprende. Enquanto aprende você ensina.
Até mesmo os Bodisatvas, enquanto se empenham com vigor na própria salvação, ajudam o mundo. A sua prática os auxilia a alcançar a iluminação primeiro, para assim serem capazes de ajudar o mundo a alcançar o mesmo objetivo.
Se eles ensinarem os outros a praticar o amor bondade sem que eles mesmos o pratiquem, eles não alcançarão a iluminação, nem serão capazes de ajudar os outros a praticar o amor bondade.
Cada um de nós precisa cultivá-lo por si mesmo e para si mesmo. Você não pode cultivá-lo pelos outros. Nem os outros podem cultivá-lo por você.
Se eu prometer salvá-lo praticando o amor bondade sem que você o pratique, então somente eu livrarei a minha mente da má vontade, pois não serei capaz de livrar a sua mente desse estado negativo.
Da mesma forma, se você cultivar o amor bondade para mim e eu cultivá-lo para você, então, ambos estaremos praticando. Eu não deveria esperar que você pratique o amor bondade por mim. Nem você deveria esperar que eu o pratique por você.
Se você disser, "Não pratique o amor bondade que eu o farei por você", isso não funciona. Não diga "Como posso cultivar amor bondade por tal pessoa que me odeia?" Se você odeia quem lhe odeia, ambos estarão fazendo o mal.
Ao fazer essa pergunta o que você está dizendo, em outras palavras é, "Como posso ser bom se os outros são maus?" Ou "Como posso evitar cometer crimes se os outros cometem crimes?" Você não pratica amor bondade porque os outros o cultivam. Você quer cultivá-lo justamente porque os outros não o cultivam.
Em última análise a prática do amor bondade depende do desenvolvimento espiritual e do Kamma da pessoa. As mentes de algumas pessoas possuem um Kamma tão desafortunado que para elas é quase impossível sonhar quanto à eficácia do amor bondade quanto mais praticá-lo, pois o seu Kamma impede que elas vejam o benefício do amor bondade.
Se você for ensinar uma classe de alunos irá notar que o desempenho dos alunos não é igual. Mesmo gêmeos idênticos possuem desempenhos distintos. A individualidade é a forma de expressar o desenvolvimento emocional, intelectual, físico e espiritual condicionado pelo Kamma da pessoa. Nem mesmo o Buda pode interferir no Kamma de uma pessoa. Nós não somos criados iguais, nascemos diferentes uns dos outros de acordo com o nosso próprio Kamma que divide os indivíduos com qualidades superiores e inferiores.
Se você praticar um ato com bom Kamma e desfrutar do seu resultado, eu não serei capaz de roubá-lo ou tomá-lo de você seja pela força ou por meios amigáveis. Se eu praticar o amor bondade para todos os seres poderei limpar a minha mente da raiva.
Assim a prática do amor bondade se manifesta no meu comportamento. Começar a prática do amor bondade é começar a prática de bom Kamma, pois nenhum bom Kamma pode ser praticado sem amor bondade.
Ao apresentar os Quatro Fundamentos da Atenção Plena o Buda disse aos meditadores que superassem a cobiça e a raiva e o motivo é que durante a prática da atenção plena o meditador irá encontrar muitos problemas com ambos, a cobiça e a raiva. Com freqüência as pessoas perguntam "Podemos eliminar a dor, o sofrimento e a raiva das outras pessoas através do cultivo interior de amor bondade?"
Até mesmo o Buda é incapaz de erradicar a dor e o sofrimento de outras pessoas desejando-lhes a paz e a felicidade. O Buda disse: "Você precisa trabalhar a sua própria salvação. Os Budas apenas ensinam".
Como cada indivíduo possui a sua parcela de Kamma, cada um tem que se dedicar para obter a sua própria salvação. Se pudéssemos eliminar o sofrimento dos outros desejando que eles se libertem da dor e do sofrimento, então fazer com que todo o mundo tivesse paz e felicidade seria muito fácil.
Se isso fosse possível então da mesma forma, também deveria ser possível que uma pessoa vingativa destruísse todos os seus inimigos desejando-lhes: "Que eles sejam feios, que eles sintam dores, que eles não sejam prósperos, que eles não sejam ricos, que eles não sejam famosos, que eles não tenham amigos e que eles após a morte renasçam em estados miseráveis de existência".
Na realidade, aqueles que fazem esses tipos de desejos inábeis é que poderão ficar feios, com dores, sem prosperidade, sem riqueza, sem fama, sem amigos e após a morte poderão renascer em um estado miserável de existência, porque eles cometem um Kamma ruim com a mente, por terem um desejo consciente cheio de raiva. Pensamentos ruins têm o poder de fazer com que os outros se sintam mal e bons pensamentos têm o poder de fazer com que se sintam bem.
Você pode se perguntar, "Se no sentido mais fundamental não existem seres, ou em nenhum sentido algum tipo de eu, ou se existem seres em um sentido condicional e a minha prática de amor bondade não elimina a sua dor e sofrimento, devido ao seu próprio Kamma, porque devo cultivar o amor bondade?"
Você deve se lembrar que quando a sua mente está cheia de pensamentos ruins ou pensamentos cheios de raiva por exemplo, você fala de uma forma rude com a linguagem grosseira, praguejando, difamando e caluniando. Você fala de forma maldosa.
Quando a sua mente está cheia de ódio, tudo que você vê gera dor; tudo que você ouve gera dor; tudo que você cheira gera dor; tudo que você come faz com que fique enfermo, tudo que você toca é desagradável para o corpo; e tudo que você pensa é doloroso.
Você se torna vingativo. Você sempre fala mal dos outros, nunca vê nada de bom nos outros. Você se torna muito crítico. Você sempre encontra defeitos nos outros. Você nunca aprecia as coisas boas que eles fazem.
Você estará enciumado todo o tempo. Você se torna muito arrogante, ingrato, malvado, com a mente muito mal intencionada. Você sempre pensa em causar dano aos outros. Você se delicia em ver os outros sofrerem, com problemas, com dificuldades.
Você fica muito feliz em ver os outros fracassarem na vida. Assim o seu comportamento ultraja as pessoas. Facilmente você faz com que as outras pessoas se sintam mal.
O seu comportamento será muito desagradável para as outras pessoas. Todos que estiverem ao seu redor sentirão nojo em ter que trabalhar com você. Elas ficarão com dor de estômago e dor de cabeça. Elas ficarão muito nervosas por estarem próximas de você. É assim que os seus pensamentos inábeis afetam as outras pessoas.
Por outro lado se a sua mente estiver plena com amor bondade, você irá falar de forma gentil, bondosa e amigável. Tudo que você ver será motivo para alegria; tudo que você ouvir será agradável. A sua comida terá um sabor melhor. Tudo que você tocar fará com que fique satisfeito. Tudo que você cheirar será agradável. Tudo que você pensar será muito agradável e tranqüilo. Você não medirá esforços para ajudar as outras pessoas. Você se tornará bastante compreensivo e circunspecto. Você terá muita paciência. Você se tornará muito amoldável. Você sempre dirá a verdade. Você sempre irá procurar agradar aos outros. Você estará preparado para esquecer o mal que lhe fizeram e perdoar as pessoas. Você sempre estará relaxado. Você não terá um riso falso e desnecessário, mas um sorriso amigável. Assim as pessoas irão amar trabalhar com você. Elas se sentirão confortáveis em sua companhia. As suas mentes também se tornarão suaves e gentis em relação a você. Elas protegerão você. Elas não falarão mal de você pelas suas costas mas, sim, bem. O seu nível de produtividade aumentará. A sua reputação aumentará.
Além disso, você poderá perguntar "Qual é o proveito de praticar o amor bondade para com todos os seres dizendo: ‘Todos os seres vivos que existem, fracos ou fortes, sem exceção, compridos, grandes, médios, curtos, sutis, grosseiros, visíveis e invisíveis, próximos e distantes, nascidos e por nascer: que todos os seres tenham os corações plenos de bem-aventurança!' Porque se deveria desejar, ‘Que ninguém engane ou despreze outrem, em nenhum lugar, ou devido à raiva ou inimizade deseje que alguém sofra. Tal qual uma mãe, colocando em risco a própria vida, ama e protege o seu filho, o seu único filho, da mesma forma, abraçando todos os seres, cultive um coração sem limites.’ Porque alguém deveria ‘Com amor bondade para todo o universo, cultive um coração sem limites: acima, abaixo e em toda a volta, desobstruído, livre da raiva e da inimizade. Quer seja parado, andando, sentado, ou deitado, sempre que estiver desperto, cultive essa atenção plena?'"
Algumas vezes, também, as pessoas se perguntam como podemos desejar para os nossos inimigos "Que os meus inimigos possam estar bem, felizes e tranquilos. Que nenhum mal lhes aconteça; que eles não enfrentem nenhuma dificuldade; que eles não enfrentem nenhum problema; que eles sejam sempre bem sucedidos. Que eles também tenham paciência, coragem, compreensão e determinação para enfrentar e superar as inevitáveis dificuldades, problemas e fracassos da vida?"
Precisamos lembrar que praticamos amor bondade para a purificação das nossas próprias mentes, da mesma forma que praticamos a meditação para alcançar a iluminação. Ao desenvolver amor bondade interiormente poderei me comportar de maneira mais amigável, sem preferências, preconceitos, discriminação ou ódio. O meu nobre comportamento permite que eu auxilie os demais seres condicionados, da forma mais prática, para reduzir a sua dor e o seu sofrimento. São as pessoas compassivas que se comportam de forma suave e gentil para fazer com que as pessoas ao seu redor se sintam confortáveis. Compaixão é a manifestação do amor bondade em ação, pois quem não possui amor bondade é incapaz de ajudar os outros. Comportamento nobre significa portar-se da forma mais cordial e amigável possível. O comportamento inclui os pensamentos, linguagem e ações corporais. Se houver contradições nessa forma tríplice de expressar o nosso comportamento, então existe algo de errado nele. O comportamento contraditório não pode ser um comportamento nobre. Se alguém fala de amor bondade mas se comporta de uma forma grosseira, ele/ela é hipócrita não é honesto/a.
Por outro lado, falando em termos pragmáticos, é muito melhor cultivar o nobre pensamento, "Que todos os seres sejam felizes" do que o pensamento "Eu o odeio". O pensamento nobre irá definitivamente encontrar a sua expressão no nosso nobre comportamento e o nosso pensamento maldoso irá encontrar a sua expressão no mau comportamento.
Precisamos lembrar que os nossos pensamentos são transformados em linguagem e ação de modo a alcançar o resultado esperado. A intenção ou pensamento traduzido em ação é capaz de produzir um hormônio positivo no nosso cérebro. Esse hormônio positivo age como um nutriente que alimenta e fortifica os nossos nervos. Quando os nossos nervos são estimulados com esse hormônio positivo eles se fortalecem. Esse hormônio positivo será também transportado através do nosso corpo pela circulação sanguínea, fazendo com que as nossas células sejam saudáveis. Os nervos e células saudáveis fazem com que o nosso corpo e mente sejam fortes e saudáveis.
Devemos sempre falar e fazer as coisas com atenção plena no amor bondade. Se, enquanto fala de amor bondade, você age ou fala de uma forma diametralmente oposta, você será repreendido pelos sábios. Na medida em que a atenção plena no amor bondade se desenvolve, os nossos pensamentos, palavras e ações se tornam gentis, agradáveis, relevantes, verdadeiros e benéficos para nós, bem como para os demais. Se os nossos pensamentos, palavras ou ações causam dano para nós, para os outros, ou ambos, então precisamos nos questionar se realmente estamos plenamente atentos ao amor bondade.
Em termos práticos, se todos os seus inimigos estivessem bem, felizes e tranqüilos, eles não seriam seus inimigos. Se eles estiverem livres de problemas, dores, sofrimento, aflições, neuroses, psicoses, paranóias, temores, tensões, ansiedades, etc., eles não serão mais os seus inimigos. A sua solução prática para os seus inimigos é auxiliá-los a superar os problemas deles, de forma que você possa viver em paz e feliz. Na verdade, se você pudesse, você deveria preencher as mentes de todos os seus inimigos com amor bondade e fazer com que todos eles realizem Nibbana, assim você poderia viver em paz e feliz. Quanto mais neuroses, psicoses, temores, tensões, ansiedades, etc eles tiverem, tanto mais problemas, dores e sofrimento eles poderão causar ao mundo. Se você conseguir converter uma pessoa má e cruel em uma pessoa pura e santa então você terá realizado um milagre que o Buda nos permitiu realizar. Cultivemos a sabedoria e o amor bondade nas nossas mentes para converter as mentes más em mentes santas.
domingo, 10 de abril de 2011
Atenção Plena
Oriundo dos Estados-Unidos, chegou um conceito verdadeiramente revolucionário: O poder curativo da Atenção Plena ou Mindfulness, colocado ao serviço dos problemas derivados do stress e da ansiedade.
Mindfulness, ou Atenção Plena é um estado de atenção do momento presente, no qual pode tomar consciência dos seus pensamentos, sensações físicas, emoções ou eventos quando estes ocorrem, sem reagir duma forma automática ou habitual.
Esta abordagem permite-lhe escolher como responde ao que lhe vai acontecendo e, consequentemente, ter uma vida mais rica e preenchida, mesmo quando vivenciando circunstâncias difíceis. A utilização da Atenção Plena ou Mindfulness de várias técnicas de atenção, aplicadas à respiração, ao corpo e movimento, visam aumentar a qualidade de presença e auto-consciência. Estes exercícios com movimentos suaves são promotores de mobilidade e vitalidade.
A Atenção Plena, aplicada às emoções e pensamentos, é essencial no processo de gestão emocional e auto-consciência, no desenvolvimento de estados de empatia para consigo e com os outros, na investigação de padrões de comportamento e no desenvolvimento de novas estratégias que promovam uma melhor qualidade de vida.
Diante das perturbações ansiosas, Atenção Plena ou Mindfulness permite-nos a aceitação do momento presente, ou seja, remete-nos ao aqui e agora, como forma real de experienciar tudo o que está acontecer, sem projetarmos permanentemente o futuro, pois, de alguma forma, tendemos a que os nossos pensamentos e emoções sejam o resultado de catastrofizações imaginadas num futuro ainda mais devastador e acabamos, de facto, por ter pensamentos que nos provocam ansiedade e remetem para questões muito relacionadas com o corpo e sensações físicas desagradáveis.
Quando estamos a lutar diante daquilo que sentimos, que é difícil, desagradável e doloroso, é porque não estamos a conduzir a nossa vida naquilo que é mais significativo.
Vou, aqui, utilizar uma imagem que ilustra bem esta ideia: e.g., imaginemos que vamos num carro, o qual estamos conduzindo, sendo que o carro é a nossa vida e julgamos que decidimos se este segue para a direita, esquerda ou em frente; nos bancos de trás deste autocarro encontram-se determinados pensamentos, memórias e sentimentos, que nos dizem como devemos orientar a nossa existência.
Se atendermos a esses mesmos pensamentos, memórias e sentimentos, nós não conduzimos a nossa vida, somos, antes, conduzidos por eles!
Podemos dizer que a Atewnção Plena ou Mindfulness é um processo que nos possibilita aceitar o que estamos a sentir e o que acontece, não deixando que isso nos limite, permitindo-nos sair do “piloto automático”, que nos mantém presos.
É um programa ligado ao conceito “EXPERIMENTE”, em que a ideia é experimentar e vivenciar, no momento presente, formas de liberdade de escolha, para que consiga levar a sua vida com boa vontade e intenção, de uma forma deliberada.
Trata-se, pois, de uma actuação que lhe permite conhecer melhor a forma como se relaciona com aquilo que pensa, sente, bem como com as suas memórias e sensações.
Mindfulness, ou Atenção Plena é um estado de atenção do momento presente, no qual pode tomar consciência dos seus pensamentos, sensações físicas, emoções ou eventos quando estes ocorrem, sem reagir duma forma automática ou habitual.
Esta abordagem permite-lhe escolher como responde ao que lhe vai acontecendo e, consequentemente, ter uma vida mais rica e preenchida, mesmo quando vivenciando circunstâncias difíceis. A utilização da Atenção Plena ou Mindfulness de várias técnicas de atenção, aplicadas à respiração, ao corpo e movimento, visam aumentar a qualidade de presença e auto-consciência. Estes exercícios com movimentos suaves são promotores de mobilidade e vitalidade.
A Atenção Plena, aplicada às emoções e pensamentos, é essencial no processo de gestão emocional e auto-consciência, no desenvolvimento de estados de empatia para consigo e com os outros, na investigação de padrões de comportamento e no desenvolvimento de novas estratégias que promovam uma melhor qualidade de vida.
Diante das perturbações ansiosas, Atenção Plena ou Mindfulness permite-nos a aceitação do momento presente, ou seja, remete-nos ao aqui e agora, como forma real de experienciar tudo o que está acontecer, sem projetarmos permanentemente o futuro, pois, de alguma forma, tendemos a que os nossos pensamentos e emoções sejam o resultado de catastrofizações imaginadas num futuro ainda mais devastador e acabamos, de facto, por ter pensamentos que nos provocam ansiedade e remetem para questões muito relacionadas com o corpo e sensações físicas desagradáveis.
Quando estamos a lutar diante daquilo que sentimos, que é difícil, desagradável e doloroso, é porque não estamos a conduzir a nossa vida naquilo que é mais significativo.
Vou, aqui, utilizar uma imagem que ilustra bem esta ideia: e.g., imaginemos que vamos num carro, o qual estamos conduzindo, sendo que o carro é a nossa vida e julgamos que decidimos se este segue para a direita, esquerda ou em frente; nos bancos de trás deste autocarro encontram-se determinados pensamentos, memórias e sentimentos, que nos dizem como devemos orientar a nossa existência.
Se atendermos a esses mesmos pensamentos, memórias e sentimentos, nós não conduzimos a nossa vida, somos, antes, conduzidos por eles!
Podemos dizer que a Atewnção Plena ou Mindfulness é um processo que nos possibilita aceitar o que estamos a sentir e o que acontece, não deixando que isso nos limite, permitindo-nos sair do “piloto automático”, que nos mantém presos.
É um programa ligado ao conceito “EXPERIMENTE”, em que a ideia é experimentar e vivenciar, no momento presente, formas de liberdade de escolha, para que consiga levar a sua vida com boa vontade e intenção, de uma forma deliberada.
Trata-se, pois, de uma actuação que lhe permite conhecer melhor a forma como se relaciona com aquilo que pensa, sente, bem como com as suas memórias e sensações.
Terapia Atenção Plena online para ataques de pânico e ansiedade
O transtorno do pânico afeta entre 3 e 6 milhões de americanos e é duas vezes mais comum em mulheres. Todos nós experimentamos pânico em algum momento em nossas vidas, mas aqueles que sofrem de transtorno do pânico experimentam ataques de pânico diariamente, e esta forma de ansiedade pode reduzir bastante a qualidade de vida, fazendo mesmo simples atividades como compras no super- mercado sejam incontroláveis.
Em sua forma mais grave desta forma paralisante de ansiedade pode levar a agorafobia, um medo muito intenso de ir para além da zona de segurança da sua própria casa. Em tais casos graves, é aconselhável procurar ajuda médica.
Uma das características do pânico ansiedade é o medo intenso do ataque de pânico propriamente dito. Sofrem são mortalmente com medo do próximo ataque de pânico e o sentido de perder o controle e o constrangimento social que trará.
Algumas vezes sentimos medo que a ansiedade de núcleo é tão poderosa que ele vai literalmente Sugar-nos permanentemente em um estado de loucura.
Mais pânico ansiedade sofredores de reconhecem que o medo do medo é o principal problema que eles têm de lidar com a fonte principal de seu sofrimento emocional.
Panic anxiety is made up of primary reactions and beliefs that form the core of the emotion and a whole superstructure of secondary reactions, which are all the cognitive and emotional reactions of avoidance, resistance and proliferation.
The cause of the primary reactions can be due to chemical imbalance or a severe emotional trauma that produces changes in the brain that result in a very primitive “fight or flight” type reflex reaction.
Whatever the cause of the primary reaction, the mind is left with the job of trying to process this intense emotional energy, which leads to layer upon layer of secondary reactivity.
The mind begins to proliferate beliefs about what is safe and what is a threat, resulting in avoidance behaviours, which can become very complex and convoluted.
The fear of losing control proliferates into endless worrying and catastrophic thinking, which intensifies and prolongs the original anxiety. This can lead to tertiary reactivity, which are all the feelings of depression and anger directed at oneself for not being able to cope and which lead to a loss of self-esteem and self-confidence.
Além de causar tanto sofrimento, todas estas formas de reatividade secundária e terciária tem um outro efeito prejudicial no que evitam as reações primárias de núcleo de cura.
O medo do medo é como jogar sal para uma ferida aberta, interrompê-lo de cura, ou jogando madeira para uma fogueira, mantendo as chamas saia. A ação de reatividade realmente faz com que o medo principal tornar-se rígida. Na psicologia de Mindfulness budista, dizemos que a ansiedade de núcleo perde sua plasticidade emocional.
Torna-se difícil como gelo, não é possível alterar, incapaz de resolver-se, incapaz de curar. A principal razão para esse efeito inibitório é que preocupar-se sobre nossos ataques de pânico tem o efeito de distrair a nossa consciência longe as emoções de núcleo e nós se tornam dissociadas das-los.
Uma das idéias mais fundamentais da psicologia é que a atenção plena ou mindfulness é essencial para perceber qualquer emoção no momento que ela está surgindo no sub-consciente e curar a si mesmo.
Sem essa consciência direta, sofrimento nunca pode curar e permanecerá congelado no lugar e permanecerá lá indefinidamente até que nós somos capazes de trazer a consciência para a emoção.
O provérbio comum entre terapeutas baseados em plena consciência é, "reatividade inibe a cura; mindfulness promove a cura", e este é certamente o caso para pânico e ansiedade.
Então, como podemos mudar os padrões de pensamento reativo que mantém todo o processo bloqueado no local? Terapia mindfulness oferece um número de idéias práticas e soluções, mas uma das abordagens mais eficazes é mudar a forma como respondemos aos nossos medos e ansiedades.
Quando estamos no aperto de ansiedade, nós não responder às nossas emoções negativas reagimos a eles com alguma forma de resistência, aversão ou evasão. Isto, naturalmente, simplesmente torna as coisas muito piores pelas razões descritas acima.
A arte de responder, em vez de reagir, é aprender a reconhecer a emoção que este ocorra e, em seguida, responder a ele propositadamente, em nossos termos, ao invés de se tornar uma vítima infeliz, que é o que acontece quando nos tornamos reativos.
Quando eu trabalho com sofredores de pânico, eu incentivá-los a cumprimentar ativamente a emoção que este ocorra, com:
"Bem-vindo. Vejo você. Por favor, tome seu lugar e vou levar minha, e nós vai se sentar juntos por um tempo."
Isso pode parecer estranho, já que normalmente não sentimos a acolher para nossa ansiedade e medo e todos aqueles sentimentos negativos e pensamentos, mas o efeito pode ser muito dramático quando entramos realmente a sensação de acolher as emoções em vez de resistir-lhes, ignorando-os ou fugir.
Para começar, você vai começar a recuperar o seu poder e posição quando você realmente boas-vindas a emoção. Você se torna o host em vez da vítima assustado.
Com prática, auxiliado com alguns visualização interna e interativa de imagens, a maioria dos encontrar pessoas que realmente podem desenvolver esta arte de "ser o hospede" e são ficar espantado com a transformação que resulta. A intensidade do medo começa a afrouxar quando eles desenvolver e cultivam esta relação interna com suas emoções.
Na Terapia de Atenção Plena ou Mindfulness Therapy falamos sobre como estabelecer o "terreno fértil" da relação cconsciente com as emoções. Este espaço interno de consciência não reactivo permite que as emoções recuperar a sua plasticidade.
Elas começam a derreter, assim como o gelo derrete no calor da luz solar. Mindfulness é como raios quentes do sol, e ela funde as emoções congeladas que foram abandonadas por meio de reatividade para os recantos profundos da mente.
Eventualmente, podemos começar a reação primária própria e pode aprender a sentar-se com o medo primário que alimenta todo o processo.
Com atenção sustentada, este monstro de gelo escuro e assustador não pode resistir o poder de cura da atenção plena ou mindfulness, e ao longo do tempo também se tornar plástico e começa a retomar seu processo natural de cura e resolução.
Nós sabemos por experiência como reatividade inibe a este processo de cura interior natural e para nós mesmos, vemos como mindfulness é o oposto de reatividade. É lógico que mindfulness promove a cura. Portanto, cultive a atenço plena ou mindfulness e ver que as alterações se desdobrar.
O transtorno do pânico afeta entre 3 e 6 milhões de americanos e é duas vezes mais comum em mulheres. Todos nós experimentamos pânico em algum momento em nossas vidas, mas aqueles que sofrem de transtorno do pânico experimentam ataques de pânico diariamente, e esta forma de ansiedade pode reduzir bastante a qualidade de vida, fazendo mesmo simples atividades como compras no super- mercado sejam incontroláveis.
Em sua forma mais grave desta forma paralisante de ansiedade pode levar a agorafobia, um medo muito intenso de ir para além da zona de segurança da sua própria casa. Em tais casos graves, é aconselhável procurar ajuda médica.
Uma das características do pânico ansiedade é o medo intenso do ataque de pânico propriamente dito. Sofrem são mortalmente com medo do próximo ataque de pânico e o sentido de perder o controle e o constrangimento social que trará.
Algumas vezes sentimos medo que a ansiedade de núcleo é tão poderosa que ele vai literalmente Sugar-nos permanentemente em um estado de loucura.
Mais pânico ansiedade sofredores de reconhecem que o medo do medo é o principal problema que eles têm de lidar com a fonte principal de seu sofrimento emocional.
Panic anxiety is made up of primary reactions and beliefs that form the core of the emotion and a whole superstructure of secondary reactions, which are all the cognitive and emotional reactions of avoidance, resistance and proliferation.
The cause of the primary reactions can be due to chemical imbalance or a severe emotional trauma that produces changes in the brain that result in a very primitive “fight or flight” type reflex reaction.
Whatever the cause of the primary reaction, the mind is left with the job of trying to process this intense emotional energy, which leads to layer upon layer of secondary reactivity.
The mind begins to proliferate beliefs about what is safe and what is a threat, resulting in avoidance behaviours, which can become very complex and convoluted.
The fear of losing control proliferates into endless worrying and catastrophic thinking, which intensifies and prolongs the original anxiety. This can lead to tertiary reactivity, which are all the feelings of depression and anger directed at oneself for not being able to cope and which lead to a loss of self-esteem and self-confidence.
Além de causar tanto sofrimento, todas estas formas de reatividade secundária e terciária tem um outro efeito prejudicial no que evitam as reações primárias de núcleo de cura.
O medo do medo é como jogar sal para uma ferida aberta, interrompê-lo de cura, ou jogando madeira para uma fogueira, mantendo as chamas saia. A ação de reatividade realmente faz com que o medo principal tornar-se rígida. Na psicologia de Mindfulness budista, dizemos que a ansiedade de núcleo perde sua plasticidade emocional.
Torna-se difícil como gelo, não é possível alterar, incapaz de resolver-se, incapaz de curar. A principal razão para esse efeito inibitório é que preocupar-se sobre nossos ataques de pânico tem o efeito de distrair a nossa consciência longe as emoções de núcleo e nós se tornam dissociadas das-los.
Uma das idéias mais fundamentais da psicologia é que a atenção plena ou mindfulness é essencial para perceber qualquer emoção no momento que ela está surgindo no sub-consciente e curar a si mesmo.
Sem essa consciência direta, sofrimento nunca pode curar e permanecerá congelado no lugar e permanecerá lá indefinidamente até que nós somos capazes de trazer a consciência para a emoção.
O provérbio comum entre terapeutas baseados em plena consciência é, "reatividade inibe a cura; mindfulness promove a cura", e este é certamente o caso para pânico e ansiedade.
Então, como podemos mudar os padrões de pensamento reativo que mantém todo o processo bloqueado no local? Terapia mindfulness oferece um número de idéias práticas e soluções, mas uma das abordagens mais eficazes é mudar a forma como respondemos aos nossos medos e ansiedades.
Quando estamos no aperto de ansiedade, nós não responder às nossas emoções negativas reagimos a eles com alguma forma de resistência, aversão ou evasão. Isto, naturalmente, simplesmente torna as coisas muito piores pelas razões descritas acima.
A arte de responder, em vez de reagir, é aprender a reconhecer a emoção que este ocorra e, em seguida, responder a ele propositadamente, em nossos termos, ao invés de se tornar uma vítima infeliz, que é o que acontece quando nos tornamos reativos.
Quando eu trabalho com sofredores de pânico, eu incentivá-los a cumprimentar ativamente a emoção que este ocorra, com:
"Bem-vindo. Vejo você. Por favor, tome seu lugar e vou levar minha, e nós vai se sentar juntos por um tempo."
Isso pode parecer estranho, já que normalmente não sentimos a acolher para nossa ansiedade e medo e todos aqueles sentimentos negativos e pensamentos, mas o efeito pode ser muito dramático quando entramos realmente a sensação de acolher as emoções em vez de resistir-lhes, ignorando-os ou fugir.
Para começar, você vai começar a recuperar o seu poder e posição quando você realmente boas-vindas a emoção. Você se torna o host em vez da vítima assustado.
Com prática, auxiliado com alguns visualização interna e interativa de imagens, a maioria dos encontrar pessoas que realmente podem desenvolver esta arte de "ser o hospede" e são ficar espantado com a transformação que resulta. A intensidade do medo começa a afrouxar quando eles desenvolver e cultivam esta relação interna com suas emoções.
Na Terapia de Atenção Plena ou Mindfulness Therapy falamos sobre como estabelecer o "terreno fértil" da relação cconsciente com as emoções. Este espaço interno de consciência não reactivo permite que as emoções recuperar a sua plasticidade.
Elas começam a derreter, assim como o gelo derrete no calor da luz solar. Mindfulness é como raios quentes do sol, e ela funde as emoções congeladas que foram abandonadas por meio de reatividade para os recantos profundos da mente.
Eventualmente, podemos começar a reação primária própria e pode aprender a sentar-se com o medo primário que alimenta todo o processo.
Com atenção sustentada, este monstro de gelo escuro e assustador não pode resistir o poder de cura da atenção plena ou mindfulness, e ao longo do tempo também se tornar plástico e começa a retomar seu processo natural de cura e resolução.
Nós sabemos por experiência como reatividade inibe a este processo de cura interior natural e para nós mesmos, vemos como mindfulness é o oposto de reatividade. É lógico que mindfulness promove a cura. Portanto, cultive a atenço plena ou mindfulness e ver que as alterações se desdobrar.
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